“Às três horas da tarde” Lc 23, 44

“Às três horas da tarde” Lc 23, 44

Chegámos a mais uma Quaresma. Não a mais uma, mas sim à nossa Quaresma. A Quaresma é, por excelência, um tempo de penitência, de oração e de jejum, resumidamente, um tempo de conversão. E como já é norma do Seminário, os seminaristas vão em retiro no início deste tempo. Este ano não foi exceção. Claro que se teve que moldar o retiro às circunstâncias atuais que esta pandemia nos trouxe. Por isso, os seminaristas mais novos foram em retiro, separados dos mais velhos, para a Paróquia das Fontinhas, para realizarem lá os seus exercícios, no Centro Paroquial e Social das Fontinhas. O que consta aqui de relevante, e o que me leva a escrever este acontecimento, passou-se durante este retiro. [continuar a ler]

Contracorrente

Contracorrente

“Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus.”

Lumen Gentium 32

Esta declaração solene do Concílio Vaticano II é o reflexo do que é o ensino da Igreja a respeito da santidade desde os primórdios; exemplo disso é o calendário litúrgico dos últimos dias. Nesta última semana, fizemos memória de diversas figuras, modelos de autêntica vivência do Evangelho, nos mais diversos quadrantes da vida no mundo, da diversidade de ministérios a que todos os batizados são chamados e das mais diferentes latitudes onde estes homens e mulheres deram o seu testemunho. [continuar a ler]

Ecclesia semper reformanda

Ecclesia semper reformanda

Sem crítica, a Igreja instala-se, acomoda-se. Perde o sentido do seu peregrinar pelos tempos e gerações e lugares. Aí duma Igreja instalada, sem vida, sem procura, segura, contente…. É necessário todos os dias arrepender-se, converter-se. Com coragem. Com humildade. É necessário ser humilde e corajoso para criticar a Igreja.

         Criticar a Igreja é criticar a Mãe, é criticarmos a nós próprios.

         Igreja, Minha Mãe! Eu Creio.

(Pe. António Rogério Gomes, O Dever, 4/3/1988)

Foi em 1988, que o ilustre padre António Rogério Gomes escreveu este parágrafo num artigo de jornal, e, sendo tão atual, tão urgente e tão necessário, deveria ser um texto sabido de cor, de coração, pela Igreja e por cada cristão que a compõe. [continuar a ler]

Estou preparado para o verdadeiro Natal?

Estou preparado para o verdadeiro Natal?

Num tempo atípico como este em que vivemos, imersos numa pandemia, embora o Natal se vá celebrar um pouco de forma diferente, não se deixou de ver as casas embelezadas, as ruas com imensas luzes e as pessoas, se bem que em menor número, nas lojas a fazer compras.

Mas será que estamos a viver o verdadeiro Natal?

Chegando ao culminar deste tempo que chamamos de Advento, caminhada que nos faz preparar a vinda gloriosa d’Aquele que se fez carne e veio ao mundo da forma mais simples que se poderia imaginar, estou preparado para O receber? [continuar a ler]

O CRIADO CRIADOR

O CRIADO CRIADOR

Sempre que se aproxima esta altura, parece que paira a indecisão e o vazio de saber o que vos escrever… Não que não exista uma multiplicidade de temas enorme, mas porque dada a subjetividade e liberdade temáticas, bem como a preocupação pela adequação ao interesse e enriquecimento de quem vai ler, fazem com que o conteúdo seja sempre uma incógnita.

Um dia, alguém me perguntava qual era, normalmente, a minha preocupação na elaboração destes textos. A resposta foi bastante clara: em primeiro lugar, escrever algo simples e compreensível a todos, ao mesmo tempo que, em segundo lugar, não seja mais do mesmo, ou seja, que permita fugir ao que todos já sabem, de modo a contribuir como algo mais para o conhecimento das pessoas. Para esta última intenção, nada melhor que usar aquilo que aprendemos, partilhando-o com os demais – afinal de contas de que serve aquilo que estudamos se não for em vista dos outros? [continuar a ler]

O que me impede de ser irmão do meu irmão?

O que me impede de ser irmão do meu irmão?

Os conceitos de família e comunhão, são importantes no que diz respeito a entender a vida cristã, uma vida em Deus família, em Deus comunhão, em Deus amor. A Igreja é a própria comunhão da vida com Deus, por meio de Jesus Cristo. Desta forma, o amor e união entre os irmãos é o reflexo do próprio amor contido em Deus. Pois bem, a nossa comunhão com Deus torna-nos responsáveis pela construção da nossa própria comunidade, a que nos rodeia, a que fazemos, a que nos acolhe. Mas será que temos, realmente, a noção de que Deus nos faz seus filhos e seus amigos? Será que vivemos conscientes dessa filiação que Deus nos proporciona?

Por amar tanto o mundo e o homem, Deus criou-nos com o instinto natural de amar, mas criou-nos também numa condição de liberdade, natural de quem ama verdadeiramente e que não coloca limites nem cadeias, mas que dá espaço a esta relação. O homem, não fosse ele “homem”, tende a abusar desta relação de liberdade que lhe foi confiada desde sempre. Como homens que somos recorremos frequentemente a Deus chamando-O de Pai, mantendo, desde modo, uma relação amorosa, mas como podemos chamá-l’O de Pai, se nos [continuar a ler]