Jesus saiu com os seus discípulos (Jo 18,1)

Jesus saiu com os seus discípulos (Jo 18,1)

Na Sagrada Escritura é impressionante como se refere bastantes vezes a mobilidade de Jesus e dos seus discípulos, dado que em todos os textos evangélicos, Ele viaja pela sua região. Mas, como nem todos os textos coincidem, a crítica vai nos ensinar a não-absolutização da não-cronologia dos Evangelhos.

Cronológicos ou não, sobressai o fulgor inquietante de Jesus, que não se acomodou, que levou a Boa-Nova por onde passou. E este apelo a ir e a desinstalarmo-nos é cada vez mais urgente, numa Igreja que se acomoda sobre a capa do pó, o manto do comodismo e senta-se no sofá com pantufas nos pés. De certeza que não foi isto que Jesus sonhou, se assim fosse, Ele não ter enviado os seus discípulos a evangelizar. Evidentemente que a lógica de Jesus começa num «ir». Nada se pode fazer sem uma ação que a desencadeie.

Neste tempo de idas e voltas, partidas e chegadas, que caracteriza o fim das férias e o começo do trabalho, a voz de Cristo impele-nos mais uma vez: «ide e ensinai».

Ide! Desinstala-te do teu sofá e arregaça as mangas, há muito campo para trabalhar, muita messe para cuidar. A cada ano há uma nova oportunidade de recomeçar e trabalhar mais um pouco, sempre mais, sempre a progredir na escada que conduz ao seio do Pai. A nós que somos chamados a trabalhar na vinha do Senhor, essa frase tão retumbante da boca de Jesus ecoa-nos várias vezes, e que Ele nos ajude, fazendo com que a sua mensagem penetre mais e melhor nos corações daqueles que Ele chamou a segui-l’O. (mais…)

Natal de Cristo?

Natal de Cristo?

Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor.” (Lc 2, 10-11)

Estamos numa época muito especial para todas as famílias e dizemos muitas vezes que o Natal é a festa da família e, de facto, também é. Mas é muito mais que isso.

Não é só enfeites, presentes, jantares, luzes… Natal é nascimento, vida. É o dia em que nasce a Salvação para todos os povos. Aquele que nasce numas palhas é O mesmo que vai estender os seus braços no madeiro da Cruz. Natal é muito mais que fazer uma doação a alguém necessitado, é mais que trocar presentes, ato já tão ritualista nesta época. Não será um Natal analgésico? Uma vez no ano ajudar quem pede ajuda? Juntar a família para lautos banquestes? E o resto do ano, o que fazemos? De que vale fazer isso tudo se nos esquecemos de olhar para a verdadeira essência do Natal? Estamos mais preocupados com o “pijama” que vamos oferecer e não nos precupamos com o nosso coração – o prepararmo-nos para receber este Cristo que irá nascer. Jesus quer nascer no teu coração. Por acaso já preparaste um lugar para Ele? (mais…)

A Santa da cela ao lado

A Santa da cela ao lado

Em 1897 Teresa do Menino Jesus (ou Teresinha), ao expirar no seu leito de morte, prometeu que Deus haveria de lhe conceder todas as vontades no Céu, porque as não tinha realizado na Terra. Como tal, e porque Teresa aspirava ao Amor e ao Bem, a «passar o Céu, a fazer o bem sobre a Terra», a sua intercessão só poderia completar-se, quando alcançasse a presença de Deus, Aquele que lhe concederia todos os favores. Estes viriam até à Terra, até nós, até aos mortais, como pétalas de rosas, assim a religiosa prometera: «Depois da minha morte, farei cair do Céu uma chuva de rosas».

Dado que as manifestações da Graça divina, intermediada pelos seus Santos, não são sempre espetáculos ou teofanias, poderia a fé na intercessão de Teresa vacilar, como com tantos outros Santos que não fizeram milagres extravagantes. Todavia, Deus agiu, age, e agirá continuamente na nossa história. As rosas de Teresa são auxílios, curas, mudanças de vida, tudo aquilo que lhe pedimos com esperança de receber, como graças, no tempo oportuno, no Tempo de Deus. O Tempo de Deus não é o tempo dos Homens. Curiosamente o primeiro milagre de Teresa do Menino Jesus, em 1906, foi a cura de um seminarista com tuberculose, a mesma doença que a vitimou. Esta foi a sua primeira rosa atirada do Céu para o mundo, e se as pudéssemos contar, e apanhar, que bonito e colorido jardim florido poderíamos contemplar, um jardim cultivado e abençoado por uma religiosa de Lisieux. Que bonita imagem, e podemos imaginar, um convento com os seus claustros e jardins cobertos das mais belas roseiras e rosas que a natureza pode produzir, deambulando neles uma religiosa carmelita, facilmente conhecida, Teresa, a Doutora da Igreja a podar as rosas da nossa vida. Quão pura é a fé dos crentes, que hoje são ridicularizados pela sociedade, pela família, pelos amigos por causa da sua fé, da sua devoção, da sua piedade. Tudo na sua cota, peso e medida. Diz o povo, «religião com descrição», o que todavia não coaduna com a missão evangélica de Jesus e dos cristãos, mas que proporciona um equilíbrio e bem-estar social benéfico para todos. (mais…)

Deus escolheu-me

Deus escolheu-me

Após sete anos de caminhada vocacional, nesta que é a “Casa Santa e Mimosa de Deus”, termino, em junho próximo, esta etapa que remonta a setembro de 2014.

O Seminário de Angra foi uma escola de desenvolvimento e de amadurecimento pessoal, que me acolheu e me ajudou a descobrir a missão que Deus me convida a responder.  De facto, fiz parte de uma família que, com a sua diversidade de membros, fez-me ver que não se pode ser discípulo de Jesus sem contemplar o rosto do irmão, amando-o tal como é. (mais…)

«QUEM AMA CUIDA» E QUEM CUIDA DEVE FAZÊ-LO COM RETA VONTADE

«QUEM AMA CUIDA» E QUEM CUIDA DEVE FAZÊ-LO COM RETA VONTADE

Eu poderia desenvolver um complexo e longo texto sobre o amor e, no fim, acabar por não dizer nada, como acontece em muitos artigos de jornal que leio sobre carradas de assuntos em que o leitor acaba por não entender patavina, nada, zero. Prolongam-se com termos latinizados ou até mesmo em grego e acabam por realizar, não um texto que fale diretamente ao leitor, – deixando-o perplexo e pouco clarificado sobre um determinado assunto – mas a algo que nem ele próprio sabe o que queria aquilo tudo dizer.

Bem, eu não sou melhor que ninguém, nem sei escrever melhor que muitos que escrevem belíssimos artigos, em termos de escrita e vocabulário, mas faço-o na maior das simplicidades para poder expressar aquilo que sinto sobre o amor. Claro, nunca chegarei aos seus calcanhares nem o pretendo. Valorizo imenso os seus trabalhos. São dignos como qualquer outro. O que escrevo não é uma afronta a ninguém, ou ataque contra, mas procuro mostrar que devemos tentar ser simples e claros para que o que queremos transmitir possa ser percebido por todos e não só por alguns. Pois nem todos têm a mesma capacidade de entendimento, de compreensão. Cada um tem a sua maneira e o seu tempo para consegui-lo. Mas vamos lá. (mais…)

NÃO TEMAS

NÃO TEMAS

“José, filho de David, não temas receber a Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mt 1, 20-21).

Foi com estas palavras que o anjo do Senhor despertou São José do seu sono e o fez dar o seu sim cumprindo esta missão. Tantas vezes que o Senhor pretende também falar connosco e, mesmo despertos durante o nosso dia-a-dia, não compreendemos ou não queremos compreender a missão que nos é entregue. José é o homem que cumpre a vontade de Deus após ouvir um anjo, que desce dos céus, lhe dizer apenas “não temas”. (mais…)