A Santa da cela ao lado

A Santa da cela ao lado

Em 1897 Teresa do Menino Jesus (ou Teresinha), ao expirar no seu leito de morte, prometeu que Deus haveria de lhe conceder todas as vontades no Céu, porque as não tinha realizado na Terra. Como tal, e porque Teresa aspirava ao Amor e ao Bem, a «passar o Céu, a fazer o bem sobre a Terra», a sua intercessão só poderia completar-se, quando alcançasse a presença de Deus, Aquele que lhe concederia todos os favores. Estes viriam até à Terra, até nós, até aos mortais, como pétalas de rosas, assim a religiosa prometera: «Depois da minha morte, farei cair do Céu uma chuva de rosas».

Dado que as manifestações da Graça divina, intermediada pelos seus Santos, não são sempre espetáculos ou teofanias, poderia a fé na intercessão de Teresa vacilar, como com tantos outros Santos que não fizeram milagres extravagantes. Todavia, Deus agiu, age, e agirá continuamente na nossa história. As rosas de Teresa são auxílios, curas, mudanças de vida, tudo aquilo que lhe pedimos com esperança de receber, como graças, no tempo oportuno, no Tempo de Deus. O Tempo de Deus não é o tempo dos Homens. Curiosamente o primeiro milagre de Teresa do Menino Jesus, em 1906, foi [continuar a ler]

Deus escolheu-me

Deus escolheu-me

Após sete anos de caminhada vocacional, nesta que é a “Casa Santa e Mimosa de Deus”, termino, em junho próximo, esta etapa que remonta a setembro de 2014.

O Seminário de Angra foi uma escola de desenvolvimento e de amadurecimento pessoal, que me acolheu e me ajudou a descobrir a missão que Deus me convida a responder.  De facto, fiz parte de uma família que, com a sua diversidade de membros, fez-me ver que não se pode ser discípulo de Jesus sem contemplar o rosto do irmão, amando-o tal como é. [continuar a ler]

«QUEM AMA CUIDA» E QUEM CUIDA DEVE FAZÊ-LO COM RETA VONTADE

«QUEM AMA CUIDA» E QUEM CUIDA DEVE FAZÊ-LO COM RETA VONTADE

Eu poderia desenvolver um complexo e longo texto sobre o amor e, no fim, acabar por não dizer nada, como acontece em muitos artigos de jornal que leio sobre carradas de assuntos em que o leitor acaba por não entender patavina, nada, zero. Prolongam-se com termos latinizados ou até mesmo em grego e acabam por realizar, não um texto que fale diretamente ao leitor, – deixando-o perplexo e pouco clarificado sobre um determinado assunto – mas a algo que nem ele próprio sabe o que queria aquilo tudo dizer.

Bem, eu não sou melhor que ninguém, nem sei escrever melhor que muitos que escrevem belíssimos artigos, em termos de escrita e vocabulário, mas faço-o na maior das simplicidades para poder expressar aquilo que sinto sobre o amor. Claro, nunca chegarei aos seus calcanhares nem o pretendo. Valorizo imenso os seus trabalhos. São dignos como qualquer outro. O que escrevo não é uma afronta a ninguém, ou ataque contra, mas procuro mostrar que devemos tentar ser simples e claros para que o que queremos transmitir possa ser percebido por todos e não só por alguns. Pois nem todos têm a mesma capacidade de entendimento, de compreensão. Cada um tem a sua [continuar a ler]

NÃO TEMAS

NÃO TEMAS

“José, filho de David, não temas receber a Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mt 1, 20-21).

Foi com estas palavras que o anjo do Senhor despertou São José do seu sono e o fez dar o seu sim cumprindo esta missão. Tantas vezes que o Senhor pretende também falar connosco e, mesmo despertos durante o nosso dia-a-dia, não compreendemos ou não queremos compreender a missão que nos é entregue. José é o homem que cumpre a vontade de Deus após ouvir um anjo, que desce dos céus, lhe dizer apenas “não temas”. [continuar a ler]

«Quase fizeste dele um ser divino» (Sl 8, 6)

«Quase fizeste dele um ser divino» (Sl 8, 6)

«E o que se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a não ser que o próprio Deus se fez homem?» (homilia de 29/09/2007) Esta bela expressão do Papa Bento XVI vai ao encontro à ideia conciliar (GS 22) de que Jesus Cristo é chave de interpretação do homem e do mundo. Se o homem apresenta uma dupla vocação (GS 3) – a vocação ao sobrenatural e a à fraternidade universal – em Jesus Cristo encontra luz para responder aos anseios profundos da sua natureza. «Quem segue a Cristo, o homem perfeito, faz-se ele mesmo mais homem» (GS 41).

Na teologia cristológica moderna, encontramos nitidamente a conceção da redenção como um ato de humanização mais do que um ato «deificante». O homem que se assemelha a Cristo não se transforma em Deus, mas, pelo contrário, torna-se cada vez mais humano. Nesta teoria, fundamenta-se a relação entre a cristologia e a antropologia e funde-se a realidade que une Deus ao homem. [continuar a ler]

A Longa Viagem Interior

A Longa Viagem Interior

No século V a.C., Sócrates pedia aos seus discípulos aquilo que estava esculpido no frontão do templo de Apolo em Delfos: «Homem, conhece-te a ti mesmo». O conhecimento de si é indispensável para percorrer o itinerário da vida interior e humana. É verdade que tal conhecimento nunca é pleno: cada um continua a ser um mistério inclusive para si mesmo e por vezes pode parecer até um enigma com sombras e lados obscuros que não quereria ver e que talvez estigmatize nos outros.

Todavia, é absolutamente necessário conhecer-se a si mesmo, para saber aquilo de que se é capaz, quais são os seus limites e as suas forças, para se ser responsável por si e pelos outros, segundo as impressionantes palavras de Dostoiévski: «Cada um de nós é responsável por tudo e por todos diante de todos, e eu sou mais responsável do que os outros». Trata-se de se conhecer a si próprio como processo de leitura psicológica de si; de conhecer-se para ter de si um juízo justo; de conhecer-se na pertença a uma porção precisa de humanidade. [continuar a ler]