Deus escolheu-me

Deus escolheu-me

Após sete anos de caminhada vocacional, nesta que é a “Casa Santa e Mimosa de Deus”, termino, em junho próximo, esta etapa que remonta a setembro de 2014.

O Seminário de Angra foi uma escola de desenvolvimento e de amadurecimento pessoal, que me acolheu e me ajudou a descobrir a missão que Deus me convida a responder.  De facto, fiz parte de uma família que, com a sua diversidade de membros, fez-me ver que não se pode ser discípulo de Jesus sem contemplar o rosto do irmão, amando-o tal como é. [continuar a ler]

«QUEM AMA CUIDA» E QUEM CUIDA DEVE FAZÊ-LO COM RETA VONTADE

«QUEM AMA CUIDA» E QUEM CUIDA DEVE FAZÊ-LO COM RETA VONTADE

Eu poderia desenvolver um complexo e longo texto sobre o amor e, no fim, acabar por não dizer nada, como acontece em muitos artigos de jornal que leio sobre carradas de assuntos em que o leitor acaba por não entender patavina, nada, zero. Prolongam-se com termos latinizados ou até mesmo em grego e acabam por realizar, não um texto que fale diretamente ao leitor, – deixando-o perplexo e pouco clarificado sobre um determinado assunto – mas a algo que nem ele próprio sabe o que queria aquilo tudo dizer.

Bem, eu não sou melhor que ninguém, nem sei escrever melhor que muitos que escrevem belíssimos artigos, em termos de escrita e vocabulário, mas faço-o na maior das simplicidades para poder expressar aquilo que sinto sobre o amor. Claro, nunca chegarei aos seus calcanhares nem o pretendo. Valorizo imenso os seus trabalhos. São dignos como qualquer outro. O que escrevo não é uma afronta a ninguém, ou ataque contra, mas procuro mostrar que devemos tentar ser simples e claros para que o que queremos transmitir possa ser percebido por todos e não só por alguns. Pois nem todos têm a mesma capacidade de entendimento, de compreensão. Cada um tem a sua [continuar a ler]

NÃO TEMAS

NÃO TEMAS

“José, filho de David, não temas receber a Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mt 1, 20-21).

Foi com estas palavras que o anjo do Senhor despertou São José do seu sono e o fez dar o seu sim cumprindo esta missão. Tantas vezes que o Senhor pretende também falar connosco e, mesmo despertos durante o nosso dia-a-dia, não compreendemos ou não queremos compreender a missão que nos é entregue. José é o homem que cumpre a vontade de Deus após ouvir um anjo, que desce dos céus, lhe dizer apenas “não temas”. [continuar a ler]

«Quase fizeste dele um ser divino» (Sl 8, 6)

«Quase fizeste dele um ser divino» (Sl 8, 6)

«E o que se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a não ser que o próprio Deus se fez homem?» (homilia de 29/09/2007) Esta bela expressão do Papa Bento XVI vai ao encontro à ideia conciliar (GS 22) de que Jesus Cristo é chave de interpretação do homem e do mundo. Se o homem apresenta uma dupla vocação (GS 3) – a vocação ao sobrenatural e a à fraternidade universal – em Jesus Cristo encontra luz para responder aos anseios profundos da sua natureza. «Quem segue a Cristo, o homem perfeito, faz-se ele mesmo mais homem» (GS 41).

Na teologia cristológica moderna, encontramos nitidamente a conceção da redenção como um ato de humanização mais do que um ato «deificante». O homem que se assemelha a Cristo não se transforma em Deus, mas, pelo contrário, torna-se cada vez mais humano. Nesta teoria, fundamenta-se a relação entre a cristologia e a antropologia e funde-se a realidade que une Deus ao homem. [continuar a ler]

A Longa Viagem Interior

A Longa Viagem Interior

No século V a.C., Sócrates pedia aos seus discípulos aquilo que estava esculpido no frontão do templo de Apolo em Delfos: «Homem, conhece-te a ti mesmo». O conhecimento de si é indispensável para percorrer o itinerário da vida interior e humana. É verdade que tal conhecimento nunca é pleno: cada um continua a ser um mistério inclusive para si mesmo e por vezes pode parecer até um enigma com sombras e lados obscuros que não quereria ver e que talvez estigmatize nos outros.

Todavia, é absolutamente necessário conhecer-se a si mesmo, para saber aquilo de que se é capaz, quais são os seus limites e as suas forças, para se ser responsável por si e pelos outros, segundo as impressionantes palavras de Dostoiévski: «Cada um de nós é responsável por tudo e por todos diante de todos, e eu sou mais responsável do que os outros». Trata-se de se conhecer a si próprio como processo de leitura psicológica de si; de conhecer-se para ter de si um juízo justo; de conhecer-se na pertença a uma porção precisa de humanidade. [continuar a ler]

O homem está no meio de duas grandes infinitudes

O homem está no meio de duas grandes infinitudes

O homem está no meio de duas grandes infinitudes: o infinitamente grande e o infinitamente pequeno; entre o anjo e a besta… a mediocridade é a retidão natural do homem, que vive (igualmente) num paradoxo, já que é a sua miséria que o exalta.

Como afirmava Pascal, o homem é uma “cana pensante” – esta metáfora expressa a figura do humano que, mesmo capacitado de racionalidade, quebra com uma forte ventania.  Perante um plano universal, o homem é praticamente nada; contudo é nesse “nada” que é “tudo”: isto porque pela razão reconhece-se como existente, algo naturalmente impossível num vegetal ou num animal; é esta a trágica realidade de Pascal. [continuar a ler]