Acorda o desejo que há em ti

Acorda o desejo que há em ti

O ano está repleto de ciclos que se vão repetindo quase por automatismo. Ano após ano, um após o outro, havendo apenas brecha para parcas alterações no decurso dos dias que se propõem.

Num Seminário não é diferente, novembro passa a ter o nome de uma semana que nos vai permitindo fazer uma bela descoberta de lugares e rostos que podem bem ser a nossa próxima casa. A Semana dos Seminários é uma experiência única durante o ano no Seminário, no decurso dos dias de quem se prepara para aquilo que todos os dias lhe é proposto.

Numa casa grande, tal qual como no Seminário, há muitos corredores, mas num destes muitos corredores que a atravessam há uma coletânea de cartazes emoldurados que vão sendo fixados na parede ano após ano e que nos vão guiando no percurso. É de um deles que vos quero falar. Em 1992 para a semana de oração pelas vocações foi criado um cartaz que tem no seu centro um imperativo que nos pode – não raras vezes- provocar-nos certo incómodo: “Deixai-vos seduzir pelo eterno”. Ora, o eterno ésempre diferente daquilo que imaginávamos há um tempo atrás, é como um horizonte que nos guia, capaz

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Um barro que nunca seca…

Um barro que nunca seca…

Sempre sonhei que no céu haveria uma olaria onde Deus passa os dias sentado na roda. E lá nos moldaria a cada dia que nasce, como vasos novos. Um Oleiro paciente, que não desiste, mesmo que o vaso criado apareça com uma fenda. Ele sabe que os seus vasos são de massa frágil, mas mesmo assim coloca-os sempre na roda, como se fosse a primeira vez que os tocasse. Felizes os vasos que se deixam moldar… não será este um passo importante para o caminho da santidade? A humildade de nos deixarmos moldar. A cada dia que amanhece, podermos dizer: “ Eis aqui Senhor este vaso frágil, molda-me com as Tuas mãos de misericórdia”. O vaso nunca será perfeito enquanto sentir vergonha das suas fendas; enquanto tiver receio de se deixar cair na roda; enquanto não souber que só descansa no calor das mãos do Oleiro.

Dá-me, Senhor, esta humildade! Quero ser barro abandonado ao teu molde; recria-me quantas vezes achares preciso… até que eu seja aquele vaso perfeito por que Tu anseias.

Sou teu, Divino Oleiro.

 

Aurélio Sousa

6º Ano [continuar a ler]

ACCIPITE SPIRITUM SANCTUM

ACCIPITE SPIRITUM SANCTUM

Aquele vento purificava os corações da palha da carne. Aquele fogo consumia o fogo da velha concupiscência. Aquelas línguas faladas pelos que estavam repletos do Espírito Santo prefiguravam a futura Igreja, que haveria de estar entre as línguas de todos os povos.

Santo Agostinho

 

Maria é o caminho privilegiado através do qual acedemos à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. No Pentecostes, a Santíssima Virgem Maria recebeu o Espírito Santo com uma plenitude singular, porque o coração humano mais livre é o dela. O Senhor prometeu àqueles que O amam: viremos a ele e junto dele faremos morada(Jo 14,23). Esta promessa é cumprida em Maria, porque ela está mais preparada para ser o tabernáculo vivo do Filho de Deus e templo do Espírito Santo. Quando o Anjo saudou Maria: «Salve, cheia de graça, o Senhor está contigo!»(Lc 1,28), ela já estava envolta pelo Espírito Santo e cheia de Sua graça. Contudo, no Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre Maria e encheu a sua alma de uma nova forma: [continuar a ler]

NOLI ME TANGERE

NOLI ME TANGERE

Nas circunstâncias atuais, que provas seriam precisas para acreditar que alguém ressuscitou dos mortos? Permaneceria incrédulo? Cético? Sinto-me, muitas vezes, salvaguardado na “casa” do meu coração, com medo do mundo, tentando que Ele não afete a minha medíocre vida, que Ele não irrompa pela porta e me traga a paz? Mesmo assim, tendo essa consciência, eu fico apático e quase que uma miragem ou ilusão me passa pelos olhos. [continuar a ler]

«Quem é Esse a Quem Chamam de Jesus?»

«Quem é Esse a Quem Chamam de Jesus?»

«Quem é Esse a Quem Chamam de Jesus?»

Esta pergunta que nos faz meditar podemos encontrá-la de uma outra forma na passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 16, 13-19)– “Jesus chegando a Cesareia da Filipe interroga os Discípulos dizendo: Quem dizem os homens ser o filho do homem? Simão Pedro disse: Uns João Batista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Ele: E vós, quem dizeis que Eu Sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo”. [continuar a ler]

O Senhor alimentou-nos

O Senhor alimentou-nos

Na vida de hoje, este tempo forte da Páscoa não altera a monotonia do nosso quotidiano, como uma leve brisa que não faz oscilar a mais pequena folha de árvore. A passagem do Amor parece que se dá sem que nenhum coração palpite de alegria com a presença de tão grande e admirável doação.

Tão grande e admirável doação dá-se na Cruz; é o cume de todo um plano salvífico que não nos deixa ficar dentro do túmulo, mas que nos faz ressuscitar com Cristo. É um Deus que se deixa ficar no Pão e no Vinho; um Deus que se doa por inteiro, verdadeiro pão que sacia a nossa fome. [continuar a ler]