“José, filho de David, não temas receber a Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mt 1, 20-21).

Foi com estas palavras que o anjo do Senhor despertou São José do seu sono e o fez dar o seu sim cumprindo esta missão. Tantas vezes que o Senhor pretende também falar connosco e, mesmo despertos durante o nosso dia-a-dia, não compreendemos ou não queremos compreender a missão que nos é entregue. José é o homem que cumpre a vontade de Deus após ouvir um anjo, que desce dos céus, lhe dizer apenas “não temas”.

A 8 de dezembro de 2020 o Papa Francisco convocou o “ano de São José” que decorrerá até o dia 8 de dezembro de 2021. Pretende, com este ano, celebrar os 150 anos da declaração de José como Padroeiro universal da Igreja Católica. No passado dia 19 de março celebrámos a sua solenidade e nesta próxima semana (de 18 a 25 de abril) assinalamos a 58º semana de oração pelas vocações que tem como tema “Sonhar os sonhos de Deus”, alusivo aos 4 sonhos em que Deus envia José numa missão, dividida em etapas. Sem temer, ele aceita-a e põe-na em prática apesar dos esforços e das dificuldades que as diversas fases possam colocar.

Para dar início a este ano dedicado a São José, o Papa Francisco escreveu a carta apostólica Patris corde (Com coração de pai) onde o coloca como pai no amor, na ternura, na obediência, no acolhimento, na coragem, no trabalho e na sombra. Todas estas caraterísticas atribuídas a José são exemplo para a nossa caminhada em direção à salvação, contudo, não podem ficar aquém das espectativas, aliás devemos na nossa vida agir desta forma em relação a Deus e aos nossos irmãos, sinal da presença de Cristo no mundo.

Nesta semana de oração pelas vocações devem-se entender todos os tipos de vocações, desde a vocação sacerdotal e religiosa à matrimonial. Todos nós temos uma vocação e é impossível negar este facto. A vocação de José foi matrimonial embora casta e continente. Ele entregou-se completamente a Deus ao aceitar a conceção virginal de Maria e dar o sim como pai de Jesus Cristo. É por isso que o pai putativo de Jesus é o padroeiro das vocações. Apesar de todas as suas limitações, dúvidas, receios e tantos outros problemas ele não temeu e aceitou a proposta de Deus desempenhando tão bem o seu papel que hoje é para nós modelo de santidade.

Quanto a nós, ainda temos um longo caminho a percorrer, temos que despertar do sono, aceitar o sonho que Deus nos envia como missão e ultrapassar os obstáculos que possamos encontrar nesse caminho. E, como José, confiar tudo em Deus, não temer e cumprir a Sua vontade. Seja qual for a nossa vocação, podemos, sem hesitar, afirmar que este pai, carpinteiro, esposo e casto homem é o nosso modelo, e pela sua intercessão alcançaremos a santidade de vida e a salvação eterna.

Os salmos por isso afirmam que devemos ser confiantes e seguros, como se segue: “Em Deus confio e nada temo: que poderão fazer-me os homens?” Sl 56 (55), 5.

Que poderão fazer-te os homens? Aceita a proposta que Deus tem para ti! Entra na barca da tua vocação e navega rumo ao Senhor. “Confia no Senhor, sê forte. Tem coragem e confia no Senhor” Sl 28 (27), 8.

Porque tanto temes? Deus está contigo e São José roga por ti.

Mário Jorge

2º Ano