“Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus.”

Lumen Gentium 32

Esta declaração solene do Concílio Vaticano II é o reflexo do que é o ensino da Igreja a respeito da santidade desde os primórdios; exemplo disso é o calendário litúrgico dos últimos dias. Nesta última semana, fizemos memória de diversas figuras, modelos de autêntica vivência do Evangelho, nos mais diversos quadrantes da vida no mundo, da diversidade de ministérios a que todos os batizados são chamados e das mais diferentes latitudes onde estes homens e mulheres deram o seu testemunho.

Seguirei a ordem do Diretório para esta reflexão. Da vida de Santo Amaro, figura popular na nossa Diocese, percebe-se que o exemplo do seu mestre São Bento é fundamental também para a vida deste seu discípulo. Mas o que pretendo realçar é que o seu testemunho da Boa-Nova se deu através da vida monástica, havendo, inclusive, quem o considere o modelo do que deve ser um monge beneditino, pela sua castidade exímia e humildade extrema que o levarão a recusar a atribuição de milagres a si próprio, luzeiro este que devemos seguir, num mundo de glórias vãs e de busca do sucesso fácil, em que os defeitos são escondidos em vista da obtenção de mais lucro ou reputação. De seguida, comemorámos Santo Antão, que na vida contemplativa do deserto ensina o recolhimento, o silêncio e a contemplação como caminhos para a interiorização e conhecimento do mistério que é Jesus Cristo. A sua vivência do deserto físico aponta-nos para o deserto que vem sendo a nossa sociedade, rodeada de tentações, tais como as que Antão experienciou, urge, pois, que estudemos a sua vida e os seus ditos, pois neles encontraremos soluções simples para problemas que consideramos de difícil resolução, prestando-lhe, deste modo, a veneração que merece. Já no dia 20, a Igreja propôs-nos dois outros espelhos da perfeição evangélica, São Fabião, papa, que se distinguiu no governo da Igreja, e São Sebastião, soldado, que se dedicou a fazer visitas a prisioneiros cristãos e a exortá-los a manterem a fé, mesmo sob os tormentos que passavam. A pandemia que atravessamos obriga-nos a uma prisão voluntária tendo em vista um bem maior, tal como estes primeiros cristãos que se deixavam prender tendo em vista a profissão da sua fé e a sua salvação, olhemos para estes santos como exemplo de esperança, mesmo durante o sofrimento atroz. Por fim, Santa Inês, uma mártir tão jovem, de apenas 13 anos, e que mostra que a santidade é vivida até por aqueles que se considera, por vezes, não terem um entendimento amadurecido. Com esta menina aprendemos o valor da inocência e da necessidade de preservá-la num mundo rodeado de tentações e perigos que assolam a integridade das nossas crianças e jovens.

Com esta reflexão, pretendi chamar a atenção para que a santidade é vivida por todos, desde jovens a velhos, que não é algo exclusivo de quem exerce algum ministério ordenado ou de quem vive no recolhimento dum mosteiro, mas mais do que isto que todos somos chamados a vivê-la não importa o onde e o como, desde que sigamos Jesus Cristo, embora “nem todos sigam pelo mesmo caminho”.

Dinis Toledo

2º Ano