
Caro amigo,
Nos próximos dias, de 1 a 8 de novembro, a Igreja em Portugal convida todos os seus filhos a intensificarem a sua oração pelos seminários. Este convite é constante mas, nesta semana, somos convidados a rezar ainda mais, a olhar com maior atenção para esta realidade constitutiva da vida da Igreja: o seminário, o coração da diocese.
Não quero que este texto seja, de modo algum, uma propaganda vocacional ou uma campanha de oração. Quero que seja, antes de mais, uma oportunidade para parares, pensares e rezares comigo.
O nosso Seminário é atualmente constituído por seis seminaristas: três no ano propedêutico — o André, o Jefferson e o Tomás — e outros três numa fase mais avançada da formação: eu, o Afonso e o Elson. Estes dois últimos encontram-se no quinto ano, a terminar a sua formação académica.
Há três anos que os seminaristas açorianos estudam na cidade do Porto, onde frequentam a Universidade Católica Portuguesa. Estamos longe da diocese, é certo, mas o nosso coração e a nossa oração permanecem unidos às nove ilhas açorianas.
Já lá vai o tempo em que o centro histórico de Angra e as várias paróquias da ilha Terceira se alegravam com a presença dos seminaristas e os acolhiam no seu meio. Os tempos mudaram. Continua lá, na Rua do Palácio, aquela magnífica fachada do Seminário Episcopal de Angra. Mas o seminário não é apenas aquele edifício, aquelas paredes. O seminário é mais do que isso.
O seminário é uma família. É uma comunidade. É feito de corações que procuram seguir e amar Jesus Cristo. É uma realidade feita de pessoas, de histórias, de sonhos, de dúvidas e de caminhos que se cruzam. Neste momento, somos seis. Cada um à sua maneira, procuramos discernir a vontade de Deus para as nossas vidas. Somos Seminário de Angra!
Claro que não quero, nem posso, desvalorizar a importância desse espaço físico e o impacto que continua a ter na história e na memória do nosso povo. Há lugares que guardam muitas histórias, rostos, encontros e vocações.
Mas o seminário continua a ser, acima de tudo, uma comunidade viva: de portas abertas, para acolher e para caminhar com os outros.
É também por isso que, numa tentativa de colmatar esta nossa ausência física da diocese, os três seminaristas mais avançados na sua formação estarão na ilha Terceira, de 6 a 8 de novembro. Durante estes dias, marcaremos presença em diversas celebrações e encontros, procurando levar a nossa experiência e, sobretudo, lançar uma semente no coração dos jovens e adolescentes que vivem inquietos perante as suas opções de vida.
Não estamos atualmente na diocese, nem na ilha Terceira, nem sequer no nosso arquipélago. Mas não deixamos de ser Diocese de Angra. Não deixamos de ser Açores.
Há uma distância inegável, mas há também uma proximidade que não depende da geografia. Continuamos ligados à nossa diocese pelas pessoas que queremos amar, pelas comunidades que queremos servir, pela oração que nos une e pela missão que partilhamos.
Carregamos a responsabilidade de representar a nossa diocese longe de casa. Fazemo-lo com sentido de responsabilidade, mas também com alegria e orgulho. Somos Açores, na cidade Invicta. Somos Seminário Episcopal de Angra. Somos parte de uma história que esperamos continuar a escrever, com fidelidade e generosidade.
E, mesmo longe, continuamos a ser o coração da nossa querida e amada diocese.
David Carreiro
