Eu poderia desenvolver um complexo e longo texto sobre o amor e, no fim, acabar por não dizer nada, como acontece em muitos artigos de jornal que leio sobre carradas de assuntos em que o leitor acaba por não entender patavina, nada, zero. Prolongam-se com termos latinizados ou até mesmo em grego e acabam por realizar, não um texto que fale diretamente ao leitor, – deixando-o perplexo e pouco clarificado sobre um determinado assunto – mas a algo que nem ele próprio sabe o que queria aquilo tudo dizer.

Bem, eu não sou melhor que ninguém, nem sei escrever melhor que muitos que escrevem belíssimos artigos, em termos de escrita e vocabulário, mas faço-o na maior das simplicidades para poder expressar aquilo que sinto sobre o amor. Claro, nunca chegarei aos seus calcanhares nem o pretendo. Valorizo imenso os seus trabalhos. São dignos como qualquer outro. O que escrevo não é uma afronta a ninguém, ou ataque contra, mas procuro mostrar que devemos tentar ser simples e claros para que o que queremos transmitir possa ser percebido por todos e não só por alguns. Pois nem todos têm a mesma capacidade de entendimento, de compreensão. Cada um tem a sua maneira e o seu tempo para consegui-lo. Mas vamos lá.

Sou cristão, fui criado no seio de uma família cristã, mas não um tipo de família em que todos vão à Missa ao Domingo, mas que o fazem conforme o que sentem no coração. Deus não os ama? Ama, sim senhor. Os meus pais, apesar da sua fraca vivência cristã, no que diz respeito a cumprir preceitos, nunca deixaram de amar os seus filhos. Sempre senti o amor deles para comigo. Grato estou por ter este amor. São condenados por isso? Não. O amor salva. E eles praticam esse amor. E praticam com uma diferença: com o coração. É amor verdadeiro, que brota dos seus corações. Eles derramam esse amor. Eu como filho, sinto-o. Sinto esse amor penetrar no meu peito todas as vezes que, quando estou em São Miguel, a minha mãe pergunta no dia anterior o que desejamos para o almoço no dia seguinte. Ou quando o meu pai pergunta como estão a correr os estudos ou derrama os seus conselhos de pai. Ou quando a minha mãe olha nos meus olhos e sente que algo não está bem e pergunta “o que se passa? Sinto que não estás bem.”. E eu, sendo filho, para não a preocupar, respondo “estou bem, não se preocupe”. Claro, o coração de mãe não tem descanso, mas faz de tudo para que compense o mal que o filho está a passar. O amor de pai e de mãe são iguais, simplesmente manifestam-se de maneira diferente. Já Deus manifesta como? Deus é Pai e Mãe, logo ama. E ama-nos a todos por igual, procurando ensinar a cada um dos seus filhos, de uma maneira ou de outra, o amor para que estes também o vivam. Não interessa a raça, não interessa se é religioso ou não, se é hindu, se é budista, se é muçulmano, se é ateu ou agnóstico, Deus não se interessa pela sua orientação sexual ou pela sua maneira de vestir. Sabem para onde Deus olha? Para o nosso coração. Para as nossas ações. Ele interessa-se por saber se a nossa ação é boa e se é de boa vontade, não pela obrigação ou dever, mas pela boa vontade. O amor de Deus é mais que todo o amor que conhecemos. Não é humano este amor. O amor de Deus se fosse humano, queridos leitores, toda a humanidade deixaria de existir, estaria à sua mercê neste Mundo. E porquê? Tão fácil quanto isto: porque o amor que o Homem tem é de carne e limitado. É um amor baseado nas coisas, no material, no uso que algo ou alguém pode dar em seu benefício. É um amor que arrefece quando o Homem é confrontado com certos problemas momentâneos da vida ou ao contrário, quando o Homem está satisfeito materialmente, esquece-se dos outros e vive um amor egoísta e egocêntrico, um amor virado para «o seu umbigo» como dizia Padre José Júlio uma vez, num dos nossos retiros.

O ser Humano, hoje, vive alienado por falsas filosofias e ideologias que o levam a viver e a ser aquilo a que não foi chamado a ser e a viver. E isto também ajudou a diminuir o sentido verdadeiro de «amar», ou melhor, a alienar a palavra «amor». E a Revelação veio mostrar por completo e na sua máxima o que é o «amor». O amor é para todos e Jesus veio e continua a mostrar o amor de Pai. Amor sem preferências, um amor que abrange todos, como dizia o Padre António Henrique na Homilia de hoje, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, Deus «ama-nos a todos por igual».

Termino com esta conhecida referência cheia de sentido, novamente do Padre José Júlio «Quem ama cuida» e, acrescento, quem cuida deve fazê-lo com reta vontade.

 

Eduardo Rodrigues

1º Ano