Acólitos convidados a serem servidores da esperança

A cidade de Angra está a acolher esta quarta-feira a IX Peregrinação Diocesana de Acólitos, que juntou 89 jovens, entre os 10 e os 33 anos, provenientes de diversas paróquias dos Açores. A iniciativa, já com nove anos de existência, continua a ser “um espaço de convívio, formação e aprofundamento da fé, mesmo com os desafios naturais que surgem ao longo do tempo” destacou o seu promotor, o padre Marco Sérgio Tavares, diretor da Comissão Diocesana de Acólitos.
O programa desta quarta feira contou, da parte da manhã, com dois workshops que decorreram no Seminário Episcopal de Angra – um centrado no Jubileu e outro sobre temas litúrgicos – e, ainda, um peddy paper pela cidade de Angra dinamizado pelo padre Nelson Pereira, que levou os jovens a percorrerem locais simbólicos como o Jardim de Angra, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição e o Alto da Memória.
“Foi uma forma didática de conhecer a cidade e refletir sobre o que é a esperança cristã e como cada acólito pode ser um peregrino de esperança”, referiu o sacerdote.
O Padre Marco Sérgio, diretor da Comissão Diocesana de Acólitos, destacou a importância destes encontros: “Apesar de altos e baixos, como tudo na pastoral, especialmente quando os jovens vão para a universidade, estes momentos continuam a ser fundamentais.”
Sublinhou ainda que “a instituição de acólitos mais velhos é viável e desejável”, desde que os párocos sejam sensíveis e incentivem a participação contínua dos jovens.
O testemunho dos participantes revela o impacto pessoal e espiritual da experiência.
Mariana Soares, 15 anos, de São Miguel, afirma: “Sempre tive o gosto de estar mais próxima do altar. Gosto de estar aqui. Vou continuar até poder.”
Já David Gomes, de 11 anos, da Santa Cruz da Lagoa, explica: “Ser acólito é uma alegria porque estamos a servir Jesus… não é ao senhor padre, é a Jesus.”
Para muitos, esta peregrinação representa também a oportunidade de conhecer outras realidades e partilhar experiências. “Percebemos que não estamos sozinhos na nossa paróquia, há muitos outros jovens que vivem a mesma fé”, partilhou Tiago Martins, que integra a organização do evento desde a terceira edição.
Apesar das assimetrias entre paróquias e da falta de acólitos em algumas ilhas, o entusiasmo e a vontade de servir permanecem fortes.
“Há que estar com eles como se fossemos um deles. No meio da brincadeira, também se puxa para coisas sérias”, disse ainda Tiago Martins que começou a viver aas peregrinações diocesanas nos Mosteiros e agora encontra-se na Lagoa.
O encontro está a revelar-se, mais uma vez, um importante momento de comunhão e revitalização da pastoral litúrgica, lembrando que, através do serviço no altar, se forma também uma escola de fé e vocações.
“É um trabalho que tem de ser feito com mais afinco não só porque os acólicos prestam um serviço muito útil à liturgia mas porque são também uma grande escola de vocações. A proximidade com a Eucaristia e com o pároco podem fazer um trabalho importante de evangelização junto dos mais jovens” acrescenta ainda o padre Nelson Pereira que é o responsável pelo Serviço de Liturgia na ilha.
“Temos muitas paróquias com muitas crianças a frequentar a catequese e esta é a porta de entrada para os acólitos que temos de saber aproveitar” referiu ainda o sacerdote que é pároco nas lajes.
Da parte da tarde, os participantes visitaram a Sé a onde foram recebidos pelo pároco, padre Hélder Miranda Alexandre, que lhes falou da história da Sé de Angra e de alguns aspetos que determinam o estatuto de Catedral diocesana. Os jovens tiveram oportunidade de percorrer os vários espaços da Igreja , nomeadamente o seu tesouro, seguindo-se depois uma celebração eucarística, para celebrar o Jubileu dos Acólitos.
Joana Barão, de 12 anos, acólita há três anos, recorda que este sempre foi um sonho desde pequena. “Esperei pela Primeira Comunhão para poder servir no altar e ajudar o padre. Já estive em São Jorge e continuo a gostar tanto como no início”, afirma com um sorriso.
De Santa Cruz da Lagoa, David Gomes, de 11 anos, diz com convicção: “Ser acólito é uma alegria, porque estamos a servir Jesus. Não é ao padre que servimos, mas a Jesus.” Desde pequeno nutre o desejo de ser padre e participa no pré-seminário em São Miguel.
Henrique Lemos, das Lajes da Terceira, é acólito há quatro anos. Tem 14 anos e partilha que sentiu “um chamamento” após a leitura de alguns livros religiosos. Participa agora pela primeira vez na peregrinação e afirma que servir a Deus é para ele um “verdadeiro prazer”.
Outro jovem das Lajes, Isac Boim, de 11 anos, vive a sua primeira peregrinação. Acólito há dois anos, considera que “ser acólito é servir o altar e, por isso, servir a Deus”. Durante o seu caminho no itinerário neocatecumenal, também toca guitarra, unindo a música à sua fé.
Lourenço Barão, de São Miguel, acólito há cinco anos, vive com entusiasmo esta que é a sua segunda peregrinação. “Estou feliz. Ser acólito é servir o Senhor e o altar. Faço círios e vamos rodando, sobretudo nas procissões. Foi um desejo meu, mas também um incentivo dos meus irmãos.”
Com 18 anos, Dinis estuda Psicologia em Évora. Participa na sua segunda peregrinação e já serve há oito anos.
“Gostei muito da experiência, do belo acolhimento e da partilha de tradições diferentes, todas a louvar o mesmo Deus.” Destaca ainda a importância dos diversos serviços litúrgicos como o turíbulo e a cruz.
Este encontro, que termina na Sé com a celebração da Eucaristia, tem sido um espaço onde a fé se vive com alegria, entre a liturgia e o convívio, mostrando que o futuro da Igreja se constrói com o entusiasmo destes jovens servidores do altar.