As IV Jornadas de Teologia, promovidas pelo Seminário de Angra, vão realizar-se entre 25 e 27 de março e, a partir do modelo do Átrio dos Gentios, debaterão o “Ateísmo e Fé: Diálogo e Procura”, informa uma nota enviada ao Igreja Açores.

Durante três dias, sempre a partir das 20h30, com entrada livre, o Seminário Episcopal de Angra volta a abrir as portas à sociedade para com ela debater e trilhar caminhos de aprofundamento da fé, no contexto do mundo atual.

“Será que o risco de um diálogo verdadeiro permite soletrar novamente Deus a partir de uma fé amadurecida?” interpela o Pe. Hélder Miranda Alexandre numa nota enviada ao Sítio Igreja Açores.

“A pergunta pelo ateísmo e pelas razões da fé cristã, pela descrença ou pela indiferença, deve recuperar a sua seriedade” avança a nota do reitor,  que deixa outra interpelação: “Que acontece se a descrença, com aparente naturalidade, determina a vida?”

“No quotidiano persistem as respostas silenciadas, os olhares confiantes, mas também os preconceitos e as tensões culturais. A problemática é intensa quando atinge os limites da existência humana. Por isso, estas Jornadas procuram refletir acerca do diálogo corajoso e autêntico com o diferente, mas também sobre a procura intensa dentro da própria personalidade, que se adentra no mistério” esclarece.

As Jornadas de Teologia que começam com o lançamento do III Volume da revista do Seminário- Fórum Teológico XXI- tem logo no primeiro dia a conferência de Juan Ambrosio, teólogo e professor da Universidade Católica no Porto que falará sobre o “Ensino da Teologia. Na fronteira do diálogo entre linguagens”.

No dia 26, o padre jesuíta António Vaz Pinto irá falar sobre “Ateísmo e Fé: perspetivas”, sendo moderado pelo vigário-geral da diocese, Cónego Hélder Fonseca Mendes.

No dia 27 e, depois de um momento musical pela Academia de São Tomás de Aquino”, o professor da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais falará sobre “Fé e Ciência: a perspetiva de um físico” e será moderado pelo padre José Júlio Rocha, professor do Seminário.

Originalmente o Átrio dos Gentios era um espaço do Antigo Templo de Jerusalém, não reservado exclusivamente aos judeus, onde se encontravam uma multiplicidade de culturas e ao qual acediam todos com igual liberdade, crentes e não crentes. Este átrio circundava o Templo de Jerusalém, delimitado por um pórtico de grandes colunas debaixo do qual os sacerdotes e os escribas dialogavam com todos aqueles que ainda não eram judeus mas tinham curiosidade em conhecer as suas leis e a sua fé. Foi também aqui que Jesus se fixou, como testemunham os evangelhos. Por isso, era um espaço de enorme liberdade e de diálogo.

Depois do Concilio Vaticano II ter desafiado a Igreja a dialogar com o mundo, mais recentemente, o Conselho Pontifício para a Cultura adoptou esta designação e modelo de intervenção e de diálogo entre a Igreja e o Mundo, constituindo um espaço de encontro e de confronto à volta do tema da fé e do conhecimento, que agora o Seminário também adopta propondo, uma vez mais, um debate franco e sem barreiras com a sociedade e o mundo em que se insere.

Desde que foi criado o Seminário tem desenvolvido um papel importante na sociedade e na cultura açoriana, seja pela formação que proporcionou, e proporciona a várias gerações, mas também pelo debate de temas fundamentais na sociedade açoriana.

A Arte como expressão que transcende, a presença de Deus na Literatura e o diálogo entre Cristianismo e Cultura foram temas abordados nas anteriores jornadas.

A entrada nas jornadas é livre,  mas sugere-se a inscrição prévia.