A vida humana tem vindo a deparar-se com vários atentados contra si mesma ao longo da história. Hoje em dia está na moda a defesa da eutanásia, porém qual o valor da vida humana? Será apenas o valor da utilidade económica? Será o valor das estatísticas da qualidade de vida? Poderá a vida ser avaliada por critérios subjetivos e individuais?

A vida é um dom, algo que é dado ao ser vivo sem este ter merecimento prévio para tal. Ninguém pede para nascer. Então porquê dizer «tenho o direito a morrer» se não fui eu que pedi para nascer? A resposta está na sociedade, onde cada pessoa é vista como um mero membro que pode contribuir para o crescimento da mesma. Quando deixa de ser «útil» a este crescimento, deixa de ter dignidade para viver.

Será válido afirmar que a opção pela eutanásia é um tema exclusivo da liberdade individual? Todo o homem tem liberdade para se suicidar. Aliás, o suicídio é a prova de que todo o homem é livre. Um homem pode sempre tomar uma dose excessiva de medicamentos, estando a fazer uso apenas da sua liberdade. Todavia, um ser humano que pede a morte está a desfrutar da liberdade e da moral de outros. Assim, a sociedade tem o dever de ir contra essa liberdade, porque deixou de ser um ato individual para se tornar num ato social. Nunca se poderá pedir à sociedade para fazer do suicídio um ato seu, isso vai contra a própria ideia de si mesma.

A morte não é um direito, dado que a vida humana é anterior ao direito, nem matar é um dever só porque alguém pede para morrer. Até que ponto se pode afirmar que a eutanásia é uma escolha consciente e lúcida, dadas as condições de sofrimento / desespero da pessoa? Muitas vezes este pedido de morte é um ato de desespero, sendo que na maioria dos casos nem é por dor física, mas pelo facto do doente se ver abandonado e só.

A eutanásia não pode ser defendida com o argumento de que a vida humana deixa de ter dignidade devido à limitação do corpo e da doença. O ser humano não é apenas corpo. A vida humana só deixa de ter dignidade quando cada um desiste de lhe dar sentido. Assim sendo, a preocupação da sociedade não devia ser a dar a morte para acabar com este sofrimento – tal como afirma a Conferência Episcopal Portuguesa, a morte nunca foi solução, não se elimina a pobreza do mundo acabando com a vida de todos os pobres – mas sim em ajudar o doente a descobrir ou a redescobrir um sentido para a sua vida apesar do sofrimento que está a viver.

E para ti, o que é a vida? Qual o sentido que ela tem? É um mero instrumento de utilidade económica? Ou fazes verdadeiramente parte de uma sociedade que tem na sua Constituição a inviolabilidade da vida humana?

 

João Farias

4º Ano