Uma pergunta à qual não sei bem responder. Sei apenas que uma música me seduziu e me atraiu até Alguém. Essa música, lentamente, conduziu-me a este lugar, pois, julgo eu, aqui, de forma mais plena, poderei responder ao apelo dessa música.

Mas que música é esta? Que apelo me lança? É tão suave… é leve… dá sentido àquilo que sou e penso, dá forma aos meus projetos. Esta música só pode ter sido criada pelo Compositor de tudo, por Aquele que nos chama a todos e, para todos, tem um projeto particular. Ao que parece, para mim, deu-me este: SEGUI-LO, sem volta a dar, sem reticências, que tantas vezes atrapalham, sem mas, nem porquês; apenas segui-l’O. Ele é a causa desta viagem que agora começo. Abandonei o porto, mas, por vezes, apetece-me voltar e prender a corda de novo, deixar-me ficar… As “asperezas do caminho”, como diz o hino, prendem-me, não me deixam avançar e fazem-me pensar que não será possível chegar à outra Margem. Também não posso deixar que a esperança que tenho de chegar Lá fique fechada para mim, tenho de anunciá-la a todos. É preciso gritar bem alto que há outra Margem, que esta não é aquela à qual devemos atracar, mas sim a qual devemos abandonar para, um dia, encontrar o outro lado do Mar.

A música, apesar de tudo, chama-me, cativa-me a ser plenamente d’Ele, a deitar-me nos Seus braços, no Seu amor. Qual é a criança que não deseja ser acarinhada pelo pai? Assim eu, sinto a necessidade de ser acolhido pelo Pai. Qual é a criança que não se gaba do pai que tem? Assim eu, tenho a necessidade de anunciar que o Pai, que eu tenho, que todos têm, ama a todos, acolhe todos e chama todos à Sua presença. Qual é a criança que não deseja grande feliz? Assim eu, quero ser pequeno para, Lá, mais tarde, ser grande e, hoje, sentir que aquilo que faço e sou me permitirá chegar à Margem. Qual é a criança que, tendo deixado de sentir a o colo do Pai, não deseja recuperá-lo, para poder ser feliz e inocente? Assim eu, desejo recuperar o que perdi, não ter noção do mundo, deixar-me guiar apenas pelo Pai.

A música, sei eu, será um guia, conduzir-me-á aonde não posso ainda chegar, ou talvez não queira, ainda…Será ela que, depois de me ter cativado, continuará a chamar, ininterruptamente, até que à outra Margem, um dia, eu possa chegar.

Dinis Toledo

Secundário