” Viver a Semana Santa significa entrar cada vez mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é em primeiro lugar a da dor e da morte, mas do amor e do dom de si que dá vida. Significa entrar na lógica do Evangelho.” (Papa Francisco)

Muitas vezes os jovens não percebem o significado da Semana Santa. Limitam-se a cumprir o preceito de participar das celebrações, ritos e procissões, sendo que a maior parte nem isso faz. Não são só dias para descansarmos do estudo, dos trabalhos, da nossa rotina, etc. É um grande retiro espiritual do povo de Deus.

A Semana Santa é o centro da fé dos cristãos, iniciando-se no Domingo de Ramos com a memória da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e culminando no Sagrado Tríduo Pascal com o Mistério da sua Morte, Paixão e Ressurreição.

Na Quinta-feira Santa celebra-se a Instituição da Eucaristia e o lava-pés. No centro desta celebração eucarística, está o hino “Ubi caritas”. A reforma litúrgica do Papa Paulo VI recuperou um gesto que era praticado pelos primeiros cristãos: a procissão do Ofertório. O Catecismo da Igreja Católica (CIC), no número 1345, traz o testemunho de São Justino (mártir) sobre as “grandes linhas do desenrolar da Celebração Eucarística” e assim diz sobre as ofertas: “Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados.”

Na Sexta-feira Santa, não se celebra a Eucaristia, contudo, faz-se a adoração à Santa Cruz. Tradicionalmente, durante a adoração canta-se a antífona “Crucem tuam” (Adoramos, Senhor, a vossa Cruz), os Impropérios (“improperia” quer dizer repreensões, reprimendas) ou outros cânticos apropriados.

A parte mais importante é o chamado “Trisagion”, ou seja, a tripla invocação de Deus: “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal”. Esta antífona é por muitos conhecida, pois faz parte do terço da Divina Misericórdia de Santa Faustina Kowalska, provavelmente remontando à Igreja primitiva. Esta tripla invocação é a resposta do povo aos impropérios, mas o que eles são? Os “improperia” estão presentes na liturgia desde o século IX e consistem no mistério do povo judeu que rejeitou o Cristo. A Igreja, com isso, não condena o povo judeu, pelo contrário, ela diz que a humanidade toda rejeitou Jesus. E, então, Ele pergunta: “Popule meus, quid feci tibi?

Responde Mihi.” (Povo meu, que te fiz Eu, em que te contristei? Responde-me). É Cristo quem protesta. “Eu te dei o amor e recebi de volta o desamor”, este é o mistério que se celebra na Sexta-feira Santa.

No Sábado Santo, a Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, é dividida em quatro partes: a liturgia da luz ou “lucernário”; a liturgia da Palavra; a liturgia batismal; a liturgia eucarística.

O texto litúrgico escolhido é talvez um dos mais belos da liturgia latina: o “Exsultet”, também conhecido como “Precónio Pascal”. É um canto de louvor que se entoa diante do Círio Pascal. Liturgicamente, representa o sacrifício de Cristo, por isso é o agradecimento pelo sacrífico que não é somente uma ‘morte’, mas um sacrifício vivificante, pois produz a vida.

É neste dia que, depois das leituras e salmos, se voltam a tocar os sinos à entoação do “Glória”, depois de terem sido silenciados na Quinta-feira Santa; proclama-se a Leitura da Epístola de São Paulo aos Romanos, sendo finalizada com a solene entoação do “Aleluia” para a proclamação do Evangelho.

A Páscoa do Senhor não é um acontecimento passado, do qual apenas nos recordamos, mas acontece no hoje da liturgia. Fazer memória dos acontecimentos salvíficos possui uma densidade espiritual para os cristãos, pois eles realizam-se novamente. Assim, quando se vive a Semana Santa, vive-se todo o drama, todo o manancial de Salvação trazido e oferecido por Jesus, ao qual resistiram e resistem tantas vontades.

João Sousa

Ano Propedêutico