A aventura da vida é tão bonita de ser vivida. O perceber, a cada manhã, que Deus nos dá o dom da existência para podermos contemplar o mundo e amar aqueles que estão ao nosso redor é deveras algo desafiante e belo.

Esta aventura, guiada pela Estrela Polar, é um mistério e ao mesmo tempo uma certeza – a de que o Amor é o chão que calcamos, a intimidade com a Vida é o ânimo do nosso espírito. Para embarcarmos nessa aventura é necessário deixarmo-nos tocar pela humildade, pelo saber que tudo é mero dom e gratuidade. Que ao passar pelos verdes campos da existência as flores que nos sorriem não são posse nossa, mas algo belo e frágil colocado lá para nos fazer guiar pelo seu perfume. Perfume que inebria e seduz – elas simplesmente nos deixam o odor do Criador que deixa assim a sua presença indelével e precedente.

Perceber, ainda, que neste caminhar não vamos sós torna tudo mais fácil. Compartilhar com os outros as alegrias e tristezas faz com que se torne menos pesado o caminho. Há alguém, igual a mim, que respira o mesmo ar que eu, que aceita o desafio do existir. Isto é reconfortante e belo.

No entanto é sempre necessário parar e olhar para trás para ver o caminho trilhado. Observar as pegadas, a marca que deixamos. Temos que o fazer com muita serenidade, com justiça e acima de tudo com imensa caridade. Só assim poderemos ver com os olhos da alma aquilo que vai bem e o que vai de menos bem. Vamo-nos deparar com tanto que criamos e também com algo que derrubamos. Vamos ver o amor e o desamor. E neste exercício há que salvar o que é essencial – o ser com e para o outro.

Será esse o nosso existir: entregar a cada dia tudo aquilo que somos e temos em nome de um Bem maior, a busca de um lugar que não tem fim onde há paz e sentido.

Levamos a alma tão cheia de tanto na certeza que somos nada perante o existir. É precisamente neste sentirmo-nos pequeninos que reside o segredo para caminhar. É nesta pequenez que podemos aceitar que as flores do campo têm também lugar na nossa vida e por serem assim singelas e tão frágeis fazem-nos recordar que mesmo assim elas são importantes pela sua missão como nós pela nossa.

 

Nuno Fidalgo

6º Ano