Pelo padre Miguel Tavares

À primeira vista pode-nos parecer difícil falar de um Deus misericordioso e que me procura sempre, nestes tempos difíceis em que vivemos, mas que é o nosso tempo.
Os primeiros 25 anos do século XXI estão profundamente marcados pelo terrorismo e pelas guerras. Então, como podemos falar da misericórdia de Deus quando estamos mergulhados na noite escura da vida? Ao fazermos uma reflexão profunda e sincera da vida e do estado do mundo, chegamos à conclusão que o mundo não pode ser só isso, que falta algo mais. Não pode ser só isso!
Olhemos para Jesus! Mostra-nos o Pai como Ele realmente é e não como as autoridades religiosas de então entendiam ou queriam que fosse. E isso vale para todos os tempos…
Lucas, no seu evangelho, diz-nos que é a misericórdia que é a perfeição… do Pai (Lc 6,36). As parábolas de Jesus são autênticas mensagens de misericórdia, compaixão, empatia e de amor ao próximo. Tanto a parábola do filho pródigo (Lc 15, 11-32), como a do bom samaritano (Lc 10, 25-37) são um bom exemplo disso mesmo.
É certo que cada pessoa é uma história com muitas histórias. Nada é linear, nem tudo é luz, nem tudo é belo, nem sempre vencemos. Somos o resultado, sempre que possível, da fusão da razão e do coração, das emoções e dos gostos, do pecado e da graça…
As nossas vivências, boas e más, dizem muito daquilo que somos. Por isso, não nos podemos esquecer de que a misericórdia é uma escolha diária, é um modo de vida a seguir, é um caminho a percorrer, paulatinamente. Quantas mais pessoas escolherem percorrer a estrada da misericórdia, mais o mundo irá usufruir dela…
A misericórdia começa em mim e em ti, nos nossos gestos. Ela é o reflexo do amor de Deus e esse amor é o bálsamo para o caminho da vida!
