Cuida da tua vida espiritual

NATAL
Natal. Deus manifesta-se em Jesus que nasce. Mas a grande questão é: como se reconhece? Como se reconhece a passagem de Deus pela nossa história? Como se reconhece a sua epifania quotidiana? Com que gramática, de que forma ou com que guia podemos reconhecer a fantástica presença de Deus? Porque Ele está. É isso que o Natal celebra. Ele está. Fez-se vizinho da nossa carne. A nós é que nos falta a capacidade de O reconhecer.
O Natal deve empestar-nos do perfume de vida recém-nascida.
O Natal torna-nos cúmplices da fé no nascer. Pede-nos para acreditarmos na potencialidade que tem a vida frágil, a vida extrema, a vida na sua condição mais pequena.
Porque é que estamos aqui à beira do presépio? O que é que nos junta uns aos outros nesta roda de crianças eternas junto da Criança divina que nasce? A única razão, válida, para estarmos aqui é esta: precisamos de um Salvador.
Não recorras ao que já sabes do Natal, mas coloca-te à espera daquilo que de repente em teu coração se pode revelar. Não reduzas o Natal ao enredo dos símbolos, tornando-o um fragmento trémulo sem lugar no concreto da vida.
O presépio somos nós. É dentro de nós que Jesus nasce.
O natal do comércio chega de um dia para outro. Fácil, tilintante, confuso, pré-fabricado. É um Natal visual. Um amontoado de símbolos. Um ar do tempo. Dentro de nós, porém, sabemos que não é assim, Senhor. Para ser verdade, o Natal não pode ser só isto. Não pode servir apenas para uma emoção social, para um corrupio de compensações, compras e trocas. Para ser verdade, o Natal tem de ser fundo, pessoal, despojado, interpelador, silencioso, solidário, espiritual.
Cardeal Tolentino Mendonça
