Pelo Reitor do Seminário

Salmo de quem põe amor em tudo
O que falta, Senhor, onde há amor?
E onde não o há, que pode haver de proveitoso?
O demónio crê, mas não ama.
Em contrapartida, ninguém ama, sem crer.
Quem não ama, desespera do perdão.
Quem ama, pelo contrário, está certo de alcançá-lo.
Por isso, Senhor,
Com razão se pode chamar ditoso a quem ama.
Porque o amor é mais forte do que a morte.
Ele é a sabedoria da ignorância,
A riqueza da pobreza,
A vida da própria morte.
Ditoso quem é movido pelo amor.
Ele não rebaixa a felicidade porque não é invejoso.
Não exalta a própria felicidade porque não é orgulhoso.
No meio das dificuldades caminha seguro.
Acossado pelo ódio continua prestando ajuda.
Rodeado de intrigas, mantém-se inocente e calmo.
Aceita e sofre tudo na vida presente,
Porque tudo pede e espera da vida futura.
Ditoso quem põe amor nas coisas,
Pois as coisas terão sentido,
Em contrapartida, pobre daquele que lhes retira o amor,
Porque tudo o que fizer se tornará vazio.
Ditoso quem faz tudo por amor,
Pois o amor dá cor à vida,
Muda-a e faz com que se veja de outra forma,
Tudo o que é pesado, dificultoso, monótono…
Se torna diferente quando o amor marca presença.
Mesmo tudo o que há de penoso nos mandamentos,
se torna completamente suave pelo amor.
Ditoso quem se deixa conquistar pelo amor,
porque não há nada tão insensível e tão de ferro
que não possa ser moldado e fundido
pelo fogo do amor.
Ditoso quem ama a verdade.
Só ele terá a certeza
De que tudo o que faz está bem feito,
Só ele terá sempre razões para trabalhar,
Ele, e só ele, cantará um cântico novo todos os dias.
Ditoso, também,
quem enche o pobre com a plenitude do seu amor,
porque a plenitude do amor de Deus
encherá a sua própria pobreza.
Ditosos de nós
se amarmos de coração a quem nos fez
e aos que connosco foram feitos,
porque amando o próximo a quem vemos,
limpamos os olhos para ver a Deus, a quem não vemos:
pois não há escada mais segura para subir ao amor de Deus,
do que o amor do homem ao seu semelhante.
Ponhamos, pois, amor em tudo o que fizermos!
Porque as boas obras não se definem pela sua quantidade,
mas pela sua finura;
nem pelo peso, mas pela sua qualidade:
nem pelo quê, mas pelo porquê.
Ponhamos amor em tudo o que fizermos!
Se fizermos a paz, façamo-la por amor
Se nos lamentarmos, lamentemo-nos por amor.
Se corrigirmos, corrijamos por amor,
Se perdoarmos, perdoemos por amor…
Procuremos que o amor crie raízes nas nossas almas,
Pois dessa raiz só pode sair o bem;
Porque quem ama pode fazer o que quiser,
dizer o que quiser e viver como quiser.
Composição e adaptação de vários pensamentos de Santo Agostinho
(Oração de Santo Agostinho)
