Anel no dedo e sandálias nos pés…

Pelo padre Miguel Tavares

Talvez seja, para muitos, surpreendente a atitude do Pai com o regresso do seu filho mais novo (Lc 15, 11-32). Festa, anel no dedo e sandálias para os pés.

O anel é símbolo de poder, de realeza, de pertença. As sandálias nos pés mostravam que aquela pessoa não era escrava, mas livre. Ora, o filho que regressa é tratado como filho, como pertença do pai, como herdeiro, como homem livre. O Pai acolhe, simplesmente, sem condições ou julgamentos. Acolhe! Restaura-lhe a dignidade, oferecendo-lhe um novo acreditar…

Este Pai, sem por um segundo deixa de ser pai. É fiel a si próprio, à sua vocação de pai e ao seu filho (apesar das infidelidades deste). É interessante ver que este Pai não espera que o filho chegue até si. É Ele quem dá o primeiro passo, avança em direção do filho, não espera. Pois, quem mais ama dá o primeiro passo. Os gestos do Pai ultrapassam aquilo que seria “normal” de esperar. A preocupação deste Pai não são os bens materiais, ma sim a dignidade do seu filho.

Esta parábola ensina-nos que a compaixão e a misericórdia de Deus não nos humilham, pelo contrário, renova-nos, faz-nos nascer de novo, como tinha pedido Cristo a Nicodemos (Jo 3,3).

É curioso que nesta parábola em que se fala tanto de misericórdia, nunca esta palavra esteja presente no texto. Talvez seja porque a misericórdia não acontece por palavras, mas sim por atitudes!

 

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