Pelo padre Miguel Tavares

É nas raízes bíblicas que encontramos a essência da hospitalidade cristã. Qualquer parábola, qualquer gesto, qualquer ensinamento de Jesus está impregnado de hospitalidade. Em Jesus existe um compromisso expresso de amor ao próximo traduzido em acolhimento. Um acolhimento gratuito e sem amarras. Um acolhimento libertador e esperançoso. Tal como Abraão que acolheu, com verdadeira hospitalidade, os três visitantes em sua casa (Gênesis 18,1-8), somos desafiados a acolher as pessoas na casa do nosso coração. Abraão reconheceu o próprio Deus naqueles três visitantes, naqueles três imigrantes desconhecidos. E eu?
Jesus Cristo é o extraordinário exemplo de hospitalidade e de esvaziamento. Basta olhar para as suas atitudes. Sentou-se à mesa com os pecadores e excluídos pelas “pessoas de bem” da sociedade. Mostrou-nos que todos são dignos de amor e acolhimento. Curou os doentes e libertou os oprimidos. A sua “fúria” no Templo manifestou-se contra aqueles que usavam a religião para seu proveito próprio. Uma religião amarrada a meros legalismos para proveito de alguns não vem de Deus! Mostrou-nos que é o amor quem deve encher os nossos templos e não o medo.
A hospitalidade cristã não faz distinção de pessoas. É para “todos, todos, todos”, independentemente de nacionalidades, estatutos ou orientações e isso é um desafio enorme. A hospitalidade cristã ultrapassa, rompe com a fronteira das nossas simpatias e gostos pessoais. O amor é mais forte, mais exigente, mais libertador!
A hospitalidade cristã é o reflexo da identidade do próprio Deus e uma concretização do mandamento novo do amor de Jesus e da Sua opção preferencial pelos pobres.
