Parábola da lâmpada

Parábola da lâmpada
(Marcos 4,21-23)
Reflexos do Cristo-Luz
Ó Cristo, Sol nascente,
ensina-nos a discernir
as mil e uma pequenas estrelas,
humildes reflexos da Tua Luz sem declínio
que atravessam, de vez em quando,
o cinzento da nossa vida quotidiana.
Um povo que sacode o jugo de uma ditadura,
reencontra a sua liberdade e a sua dignidade…
Epifania da esperança.
Uma estrela se acende na nossa noite!
No seio de uma sociedade assente sobre a rentabilidade,
um jovem super tecnocrata que deixa tudo
para se fazer monge…
Epifania da gratuidade,
de um Apelo ao Absoluto, louco e imprevisível.
Uma estrela se acende na nossa noite!
Um missionário que morre de esgotamento,
no meio do seu povo de adoção;
um médico voluntário que, em vez de fazer carreira,
revolve na lama dos campos de refugiados…
Epifanias da solidariedade, do dom de si.
Uma estrela se acende na nossa noite!
Uma explosão de alegria na sala de verificação
quando um novo satélite atinge o seu objetivo;
o grito do grupo de alpinistas que crava a sua bandeira
no cimo da montanha;
a felicidade do deficiente que ganha
uma prova desportiva.
Epifanias da alegria de se ultrapassar,
de conseguir, em conjunto, uma vitória que engrandece o homem.
Uma estrela se acende na nossa noite!
O maravilhamento do pai inclinado sobre o berço de seu filho,
o prazer do escritor que poda as palavras,
do músico que harmoniza os sons,
do marceneiro que esculpe um pé de mesa…
Epifanias da alegria de criar.
Uma estrela se acende na nossa noite!
Uma contemplativa que reluz de saúde interior
e cujo riso é uma cascata de frescura…
Epifania da pureza e da harmonia reencontrada.
Senhor, quantas epifanias da Tua Luz,
quantas estrelas, cada dia, acesas,
para aquele que ainda sabe discernir!
