Um Deus Menino sem honras 

Por Miguel Tavares

 

Em Fl 2,6-8, rezamos que embora fosse de condição divina, Jesus não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se, entregou-se a si próprio.

A mensagem de Jesus é para todos, todos, todos, começando pelos últimos. É para todos independentemente de religiões. É para todos, independentemente da nacionalidade. É para todos, independentemente da sua condição social, estatuto, supostas “honras humanas”, orientação sexual, profissão, conta bancária, etc.

Olhemos a esta curiosidade interessante: é aos pastores que os anjos anunciam, em primeiro lugar, o nascimento do Menino Jesus. E onde estavam os pastores? Fora da cidade, do centro, eles também não tinham um lugar. “Um sinal vos será dado!” E que sinal será esse? Um bebé recém-nascido, frágil, vulnerável. É uma lógica nova, “atrevida”, que incomoda os centros do poder, sejam eles quais forem. O Filho de Deus nasce sem riquezas, numa manjedoura, sinal de que o essencial está no ser e não no ter. Está no amar, na doação e não no acumular.

Jesus encarna para a salvação de todos e não apenas de muitos. Ama bons e maus, justos e injustos, privilegiando sempre os últimos, os doentes, os pobres, os pecadores, os marginalizados. No fundo, tu e eu! A encarnação de Jesus mostra-nos essa grande misericórdia, esse grande amor que Deus tem por cada um de nós.

Seguir Jesus é seguir esta linha de desprendimento difícil, mas libertador. A mensagem de Jesus é libertadora e libertária. Somos desafiados a viver de uma forma simples, mergulhando na vida íntima com Jesus.

Celebrar o Natal é uma oportunidade para aprender, olhando para o Presépio, ao desapego do supérfluo, abraçando a partilha, a humildade e o cuidado para com o próximo.

Santo Natal!

 

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