Começo a minha reflexão com um excerto de uma música muito conhecida, que dá o nome a este texto, e que me pareceu o indicado para este tempo em que a Festa do Natal finda:

«Fica mais rica a alma de quem dá,

Chega mais alto o hino

De quem vive a partilhar.»

            Acabaram-se as luzes, os festejos, as músicas e as explosões de cores. Acabaram-se as celebrações grandes e cheias de tanto e tão ricas. Acabou-se toda aquela «calma» que um simples pacote de açúcar – não lhe retirando o valor – nos trouxe quando o colocamos dentro de um cabaz das inúmeras campanhas de solidariedade que nos bateram à porta e que vieram para trazer um certo descargo de consciência.

A estes cabazes não lhes tiro a importância e até acho que não há melhor maneira de celebrar o Natal do que assim, «partilhando» esta Festa que é de todos e para todos.

Mas, questionemo-nos: e o resto do ano? Será que só existe fome até ao dia de Reis? Será que acabando o Natal, toda esta pobreza desaparecerá? Ou será que a nossa consciência só nos pesa nesta época? Tudo isto me faz parar e reflectir.

Precisamos ser coerentes connosco mesmos e parar para pensar neste grande problema. A verdadeira caridade parte do coração, da resposta ao apelo do próximo que sofre, que é pobre como Cristo o foi, não só na manjedoura mas em toda a sua vida. E é em toda a sua vida que ele precisa de nós. Não falo apenas em cabazes e artigos que encham a mesa e a dispensa, mas também em amor, em proximidade, em carinho. Ao fim e ao cabo somos também – sem excepção – mendigos do amor.

Como diz o excerto da música, ficamos mais ricos quando partilhamos. «Ninguém é tão pobre que nada possa dar e ninguém é tão rico que não precise receber.»

Vivamos a vida a partilhar. Ao exemplo dos Reis, sigamos, depois de acabado o Natal, por um outro caminho, um caminho que vá em busca de Jesus que se faz presente nos pobres, tal como ele foi na gruta de Belém.

Sandro Costa 

4º Ano