A apresentação do número um foi feita por Sérgio Toste, professor do Seminário Episcopal de Angra

A revista anual Fórum Teológico XXI, apresentada esta noite por Sérgio Toste, professor do Seminário Episcopal de Angra, na sessão de abertura das segundas Jornadas de Teologia, pretende ser um espaço de cultura, diálogo e formação, especialmente enquadrada no contexto açoriano e marcada pela reflexão teológica.

“Só o título é um programa desafiante” afirmou Sérgio Toste, professor de Português no Seminário,  que a partir da última parte do Evangelho de Mateus, apresentou o duplo papel informativo e formativo deste género de publicações,  lembrando a todos os presentes, que enchiam por completo o salão do Seminário Episcopal de Angra, as responsabilidades em levar a palavra de Deus, de forma esclarecida, a todos os ambientes.

“Não nos é licito fugirmos dos fora ou fóruns deste mundo, nem dos areópagos do `Páteo dos Gentios´, das praças publicas, das escolas, universidades, órgãos de comunicação social, das redes sociais”, mesmo que “a seara pareça imensa e os trabalhadores poucos e extenuados; pior mesmo que pareça não haver seara para além do joio surdo e hostil”, disse Sérgio Toste.

O professor de português sublinhou as dificuldades dos cristãos em dar testemunho “do caminho, da verdade e da vida” numa sociedade que prefere “sendeiros escusos” ou que se “satisfaz com a pós verdade, a meia verdade ou a inverdade e aceita pacificamente a morte”, proposta pelo aborto ou pela eutanásia. E, deixou uma interpelação: “Como se poderá compreender a limpidez do Evangelho” perante os sinais deste tempo onde o “politicamente correto é um dos principais  venenos?”.

O apresentador pronunciou-se ainda sobre a progressiva perda de influência da igreja- “ainda tocamos sinos, fazemos sair procissões, mas somos os últimos dos últimos”- e alertou para a ignorância dos jovens sobre assuntos relacionados com Deus, destacando que a sociedade em geral, e a educação em particular, são “pródigos em formar ateus”.

“Os tempos são de indiferença, laxismo e escandalosa superficialidade; de incuriosidade” e por isso “vivemos numa amalgama sincrética de lógicas e de crendices absurdas” com um enorme paradoxo: “o espantoso e rapidíssimo acesso à informação fomenta uma completa desinformação”, disse ainda.

Para Sérgio Toste, a revista que o Seminário agora lança é uma espécie de `pedrada no charco´, potenciando o que é natural e que é o diálogo permanente entre o humano e o divino; fé e cultura.

Esta revista é, assim, uma proposta de confluência de ideias, perspetivas, questões, marcadas pelo elemento sacro e pela abordagem teológica e pastoral, assumindo-se como um espaço de liberdade de pensamento na relação cultural entre Igreja e sociedade, no respeito pela mais alta tradição cristã, referiu por outro lado o reitor, também diretor editorial, na nota de abertura deste primeiro número.

O primeiro número, que reúne as intervenções das Jornadas Teológicas Cristianismo e Cultura, promovidas pelo Seminário de Angra em março de 2017, inclui textos de D. João Lavrador “Fé e cultura: da rutura ao diálogo” e José Carlos Seabra Pereira, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura “Relatividade artístico-cultural e responsabilidade pastoral”.

A edição é igualmente composta pelos artigos “Luz e sombras dos murmúrios da razão”, Brandão da Luz, “O Capitalismo e a Doutrina Social da Igreja”, Nuno Ornelas Martins, “Moral Ética Cristã e ordem jurídica civil na sociedade pluralista. A vida e a liberdade em conflito?” Jorge Teixeira da Cunha e “Moral cristã e pós-verdade”, José Júlio Rocha.

Os estudos sobre eclesiologia e piedade popular, de Jorge Ferreira, a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, de Sérgio Toste e a conservação dos retábulos da igreja da Conceição, em Angra do Heroísmo de Jacob Vasconcelos completam o número.