O Evangelho diz-nos: “ (…) a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos (…)”. Muitas e variadas são as desculpas que se ouvem quando alguém é convidado para trabalhar na messe, a principal é: “não tenho vocação”.

Vocação – palavra sobre o qual nos questionamos quanto ao seu significado. Muitas vezes queremos dar uma definição objetiva do termo. Outras confundimos vocação com sentimento, profissão, vontade, gosto, talento, jeito. Outras vezes ainda, achamos que vocação é expressão do acaso.

Através do profeta Jeremias poderíamos dizer que vocação é o confronto entre a pessoa – com os seus medos e as suas generosidades, o seu poder de resistência, mas também com a sua capacidade de aceitação – e Deus – com a sua majestade e com o seu mistério. Logo parece que não é algo da nossa iniciativa, mas da iniciativa de Deus que vem ao nosso encontro. Contudo, Ele espera sempre pela nossa livre resposta, não nos força a aceita-Lo. Mas quando o aceitamos Ele quer toda a nossa vida, todo o nosso ser.

No Novo Testamento, verificamos que a adesão a Jesus Cristo vai muitas vezes contra ao que é normativo na sociedade, tornando-se assim uma adesão exigente, dado que nos interpela a viver em conformidade com essa exigência de ser imagem de Cristo no meio do mundo, obrigando-nos a deixar muitas vezes os nossos interesses mesquinhos e medíocres, comparado com a Sua grandeza.

Viver como Cristo não é tarefa fácil, contudo, muitos jovens decidem seguir este modelo de vida. Para levar a tarefa a bom porto eles necessitam de alguém que os ajude, que os guie. Ora para isto serve o seminário, para ajudar todo o jovem, que decide dizer o seu sim a Deus, a crescer: tanto na dimensão humana, intelectual como espiritual.

O seminário dá as diretrizes para cada um, junto do seu diretor espiritual, dos colegas, dos professores e de toda a Igreja de Deus, ir moldando a sua forma de ser, de pensar, mas sobretudo de agir junto do irmão que precisa de ajuda, que precisa de encontrar Cristo.

O seminário não é apenas uma escola com um currículo pré-definido e com objetivos pedagógicos. Ele é, também, uma casa que nos forma, que nos ensina a viver esta vida de doação/entrega. Essa realidade atinge-se tanto pelo peso da formação intelectual como pela convivência que temos com os outros.

Seguir uma vocação não é só, nem principalmente, seguir ritos. É dar se ao próximo, estar junto dele quando este preciso ajudá-lo. É ser a voz daqueles que não a têm, ou que por algum motivo não a podem manifestar. É ser humilde com os humildes, viver em função destes. Deixamos o material para trás porque o irmão tem muito mais valor do que todos os bens deste mundo. Santa Teresa de Calcutá é bem o exemplo dessa entrega aos mais pobres entre os pobres.

E tu estás disposto a dizer o teu sim? Ou vais arranjar desculpas para não responderes com verdade ao que Deus te pede? Ele chama-te e tu respondes?

Experimentar responder à chamada, é a construção de um caminho de discernimento, não implicando uma decisão definitiva.

 

João Paulo Farias

4º Ano