Quem nos separará do amor de Cristo?

A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?

São Paulo

 

Durante este tempo de Quaresma, a Igreja exorta-nos a ter especial atenção para com os que sofrem e experimentam de algum modo a pobreza, a miséria, a injustiça e a perseguição. Também somos exortados a uma particular e excecional solidariedade com o próprio Cristo que sofre.

Este ano, a Semana Santa – a mais importante para os cristãos –, em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, vai ter um cunho diferente dos outros anos. Não a poderemos celebrar em comunidade, não teremos as tradicionais procissões e nem ouviremos os acordes melodiosos das filarmónicas. Este ano celebraremos a Páscoa em família, centrando-nos no essencial e deixando o supérfluo de lado. Somos convidados a amar como Deus amou o seu Filho único, a não sabermos coisa alguma…a não ser Jesus Cristo e Cristo crucificado. Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de forma passiva, porque Ele também tem as suas inquietações enquanto humano; contudo, confia-se inteiramente a Deus para corresponder à união com o Pai. E nós correspondemos a esse amor? Confiamos inteiramente em Deus?

Viver a Semana Santa é entrar na lógica de Deus, na lógica da Cruz. É sair de si mesmo, da forma rotineira de viver a fé, da tentação de fechar-se no seu casulo, de fechar-se ao plano de Deus. Quantas vezes damos desculpas de que não temos tempo, que temos outras coisas para fazer, de que é difícil? A tempestade revela a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as nossas fraquezas. O Papa Francisco diz-nos que: «Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo.».

Este é um tempo favorável para reajustarmos a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros. Vamos sempre a tempo de convidar Jesus a embarcar nas nossas vidas, porque com Ele a bordo, sabemos que não naufragamos e chegamos a bom porto. Por isso, façamos como nos dizia São João Paulo II: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!».

João Sousa

2º Ano