A Páscoa é a festa principal e essencial dos cristãos, na qual se comemora o maior mistério da fé: a Ressurreição de Cristo.

Já antes do Cristianismo, a Páscoa era festejada como a festa da “Passagem” ou da “Libertação”, como comemoração da saída do povo Hebreu da escravidão do Egipto.

A alegria da liberdade perpetua-se todas as vezes que se faz memória e se louva as maravilhas que Deus fez naquele Povo, pois não há ambição maior que a liberdade, quando se é prisioneiro de sistemas cativos e de regimes controladores, que impossibilitam toda a forma de realização humana.

Com Jesus Cristo, há outra dimensão, não desconectada da vida judaica. Cristo não fomenta uma rutura radical com a tradição judaica. Aliás, Ele próprio vive e comemora os costumes judaicos, celebra a Páscoa, vai à Sinagoga, recebe instrução judaica… Mas dá uma nova dimensão à antiga lei, porque já não fazia sentido aquele modo de interpretação. E revoluciona por completo toda a estrutura da vida humana: Jesus eleva a antiga lei à plena intenção de Deus: o Amor.

Esta novidade é muito mais fascinante e necessária à vida humana, em comparação com o “antigo regime” judaico.

Quem não pretende sentir-se amado por Deus?

Um Deus que é Pai e ama incondicionalmente é a grande Verdade que Cristo revela ao Homem. Esta novidade alegra, muda mentalidades, transmite confiança, fortalece laços e cria pontes entre o Homem e Deus. Esta verdade capacita-nos para Deus! Somos convidados, todos, para este amor, pelo dom da graça.

É em Jesus Cristo, Único mediador, que o Homem conhece verdadeiramente Deus.

Ele próprio, o rosto do Pai, é já propósito pascal. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai, senão por Mim” (João 14, 6).

A Palavra revelada por Jesus Cristo e os seus ensinamentos são, por si, motivo de transformação, de passagem e libertação. É coragem para a passagem para uma vida nova, com um novo olhar para o mundo e para o Homem, com atitudes renovadas, rejuvenescidas, de autenticidade e dignidade. De passar fronteiras, de um “humano país” onde reina a escuridão, o medo, a depressão, a desmotivação, para o outro lado, para outro estado de vida, de luz, de confiança, de vivacidade, de ânimo.

Jesus, ao longo da sua vida terrena, no encontro com cada pessoa, em cada toque que surgia, em cada olhar que trocava, em cada palavra que dizia… é a própria Páscoa! É libertação!

Jesus, a verdadeira Páscoa, transforma a vida de tantos homens, mulheres e comunidades: de paralíticos, cegos, mudos e de tantas outras enfermidades, da Samaritana, da mulher adúltera, de Zaqueu, do seu amigo Lázaro, dos discípulos…

Somos convidados a viver a Sagrada Escritura, e no exemplo de cada encontro transformador de Jesus com a humanidade do seu tempo, olharmos o concreto da nossa situação de vida e refletirmos: “O que é que eu quero?”; “Qual é a minha enfermidade física e espiritual?”; “Que água tenho vindo a encher no meu cântaro?”; “Que atitudes tenho e que me impedem de ser feliz?”; “O que há em mim que necessita de ressuscitar”; “O que me impede seguir Jesus?”…

Diz-se em Hebreus 4,12 que “a Palavra de Deus é viva e eficaz”. E, efetivamente, a Palavra de Deus pode ser viva e eficaz, na medida em que eu me faço parte desta palavra, desta história, que não é só a história da gente daquele tempo, das personagens daquela época, mas é também a minha história, a minha vida a par com Jesus, que está sempre comigo e com cada um de nós.

Perante a Sagrada Escritura, encontramos respostas. Basta emprestarmos o nosso nome a cada personagem e contracenarmos com este Jesus que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro. E aí, transpomos poços, sicómoros e tantos outros lugares, para a nossa realidade concreta.

Não há Páscoa sem Quaresma, tempo de oração, caridade e jejum. Todos os grandes projetos são antecedidos de muita reflexão e o tempo da Quaresma é este período propício à reflexão. E se acreditamos que a Ressurreição é a plenitude da nossa vida terrena, não menos é verdade que podemos já viver a alegria da Ressurreição ainda neste mundo. Daí que, ao longo da Quaresma, os Evangelhos ensinaram-nos como preparar uma vida com sentido, que só é possível por um processo de conversão e compromisso.

Quantas mais Quaresmas e Páscoas serão necessárias para nos comprometermo-nos, efetivamente, com o projeto de felicidade que Deus tem para cada um de nós?

Se de cada ano levarmos para a vida do dia-a-dia nem que seja um propósito de conversão, já valeu a pena esta Páscoa. Deus conhece o nosso interior, a nossa vida, as lutas que travamos, e sabe que, apesar de tudo, que O amamos.

A Páscoa da nossa vida acontece quando, a partir do encontro com o Ressuscitado, deixamos que Ele seja em nós e partimos a anunciar tudo o que em nós foi transformado.

Votos de uma Santa Páscoa.

 

Jorge P. Sousa

3º Ano