O Pe. Jacob Vasconcelos, que ontem foi ordenado, celebrou este domingo a sua Missa Nova na paróquia onde nasceu e se batizou – Ponta Delgada das Flores – e durante a homilia afirmou que a primeira atitude da igreja tem de ser o acolhimento, fazendo com que todos se sintam em casa.

A partir dos textos propostos na liturgia da palavra deste décimo terceiro domingo do Tempo Comum, que ajudam a recentrar a fé a partir de alguns temas fundamentais como o acolhimento fraterno, a capacidade de renascer e o desprendimento,  o sacerdote florentino deixou pistas concretas sobre a forma como pretende ser pastor na diocese de Angra.

“A atitude que nos é apresentada deve ser uma marca do ministério sacerdotal em particular e de todos os baptizados em geral: Acolher, acolher, acolher” afirmou lembrando que “não pode haver evangelização, nem ministério, nem vida cristã verdadeira que não se esforce por fazer com que todos se sintam em casa”.

E prosseguiu: “Antes de apresentarmos normas ou moralismos, acolhamos e tentemos perceber o que vai na alma de cada um” sublinhou pois “Só o Senhor sonda os corações cada um pelo que devemos fazer um esforço contínuo por escancarar as portas do seu coração a todos os que se abeiram dele”.

“Além disso- prosseguiu-, podemos ir mais longe: Saiamos nós também e procuremos quem precisa de um quarto onde possa descansar das fadigas da vida. Não tanto um quarto de cimento mas um espaço de segurança e de verdade onde possam ser ouvidas as preocupações daqueles que mais precisam”.

“De facto, não há vida cristã autêntica seja de um leigo, de um religioso ou de um sacerdote que possa prescindir destas qualidades: Acolhimento, renascimento e desprendimento” precisou ainda frisando, por outro lado, que “onde há caridade verdadeira e desinteressada, nasce a vida, renasce a história e cria-se um mundo novo, onde todos são irmãos e se sentem acolhidos”.

“Na Igreja, há lugar para todos. Cada qual é chamado a descobrir a sua vocação. Não há lotações limitadas nos desígnios de Deus. Olhando a nossa própria vida, tentemos descobrir o que o Senhor pretende de nós. Não foi igual a missão de Elias e a de quem o recebeu. No entanto, foi devido ao esforço de ambos que o sonho de Deus pode avançar. Encontremos o nosso lugar, acolhamos os irmãos e seremos verdadeiramente felizes”, disse ainda.

Durante a homília deixou ainda um repto a todos os cristãos para que assumam o verdadeiro compromisso pois “não se pode pertencer conscientemente à Igreja e viver ao sabor da maré”.

“Como batizados, temos de nos configurar progressivamente com Cristo, o que implica criar espaço interior para descobrir a sua vontade que quer sempre a nossa realização. Examinemos a nossa consciência e tentemos perceber o que tem de ficar para trás. A condição inicial para a mudança é o reconhecimento da nossa verdade e a vontade de querer ser cada vez melhor”, concluiu.

E, acrescentou a “radicalidade” como forma de entrega pois só quem ama verdadeiramente pode entregar-se ao outro.

“Mesmo que não nos seja tirada a vida com o martírio do sangue, somos chamados a fazer, da nossa vida, um contínuo sacrifício de acordo com o belo e verdadeiro significado desta palavra tantas vezes deturpada. Sacrificar-se passa por tornar sagrado cada gesto, cada palavra, cada olhar” disse o Pe Jacob Vasconcelos.

A Missa Nova do Pe. Jacob Vasconcelos foi animada por um coro composto por 90 vozes de todas as comunidades paroquiais da ilha e regido pelo reitor do Seminário Episcopal de Angra.

No final da Eucaristia o jovem sacerdote fez uma serie de agradecimentos e lembrou , particularmente, o pai que faleceu quando ainda era criança, a quem pediu, comovidamente, a sua intercessão “para que, onde quer que esteja, continue a zelar por mim”.

No final foi lida a benção apostólica do Santo Padre contida no documento “Chaves de Ouro” atribuído no âmbito da Secretaria de Estado do Vaticano, no qual o Santo Padre concede uma benção apostólica ao neo-sacerdote mas também a toda a comunidade. Este documento foi atribuído também ao Seminário Episcopal de Angra e ao Santuário do Senhor Bom Jesus, na ilha do Pico, no âmbito das celebrações dos 150 anos de cada uma das instituições.

In Igreja Açores