«Onde está a vossa fé?»

«Onde está a vossa fé?»

A nossa vida pode ser comparada ao mar, muitas vezes revolto e cheio de pedras que nos dificultam entrar e mergulhar nele. Mas, lá no fundo, há um tesouro com uma pérola única a brilhar, que cura todos os homens e mulheres. Essa pérola é Jesus.

Estamos a aproximar-nos, a passos largos, do tempo quaresmal, onde somos convidados a refletir sobre nós próprios, sobre a nossa relação com Deus e uns com os outros. Não podemos ficar acomodados a ver o tempo passar. Cada dia é uma oportunidade para mudar, uma oportunidade para confiar e amar. Cada dia é o momento de tomar a decisão radical e decisiva.

O mar da nossa vida está, muitas vezes, carregado de tempestades: os nossos problemas, dificuldades, anseios, medos e dúvidas, que derrubam e impedem a capacidade de alcançarmos os nossos sonhos e objetivos.

Convido-vos a refletir num trecho do Evangelho de Lucas que nos convida e desafia a sermos cristãos confiantes: Certo dia, Jesus subiu com os seus discípulos para um barco e disse-lhes: «Passemos à outra margem do lago.» E fizeram-se ao largo. Enquanto navegavam, adormeceu. Um turbilhão de vento caiu sobre o lago, e eles ficaram inundados e em perigo. Aproximaram-se [continuar a ler]

Etapas

Etapas

O caminho é incerto

As dúvidas passam no coração e na alma

Estamos sozinhos, ninguém nos ouve

A respiração torna-se ofegante

A resposta tem de ser rápida e forte

Não há suporte, a mesa caiu

Não posso escrever, não sei como parar, para onde ir [continuar a ler]

INTERMITÊNCIAS DA RESSURREIÇÃO

INTERMITÊNCIAS DA RESSURREIÇÃO

Em que pilar assenta a fé da Igreja Católica e Cristã, para além de Deus? Os que estão mais afastados da Igreja, seja ela espiritual ou física, normalmente nem colocam essa questão, não é do seu interesse. A questão só se torna cativante se for para criar mais um “Código Da Vinci 2” ou algo semelhante. Mas sei que alguns fiéis que frequentam os templos cristãos, mas sobretudo os templos católicos, também pouca ou nenhuma resposta têm para dar a esta questão. Permiti-me, caro(a) leitor(a), que traga, para o meio da nossa conversa, José Saramago, para que possa dar o seu veredicto. Sim, ele que se diz ateu e adverso à Santa Igreja, talvez nos possa ajudar. [continuar a ler]

A NOSSA ROSA

A NOSSA ROSA

Recordo com carinho de, há uns anos atrás, era eu “pequeno”, oferecerem-me um livro intitulado O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry. Um livro pequenino, com relativamente poucas páginas, acompanhado da seguinte dedicatória: “E se um livro é um bom amigo, este é um amigo que cresce com a gente …”. Mal sabia eu a grande lição que aquele simples livro me trazia, escondida nas suas páginas.

Passados alguns anos, porque só agora falo dele? Porque realmente ele cresceu comigo. Cresceu comigo e acompanha-me. Cresceu comigo e fez-me descobrir a minha rosa. A rosa é o que de mais importante o Principezinho tem no seu planeta, mas basta-lhe. E basta-lhe porquê? Porque foi o tempo que ele dedicou à rosa que a tornou tão importante. Depois de andar por tantos planetas, de conhecer tantas e tantas personagens que fizeram parte do seu itinerário, ele volta ao seu planeta e basta-lhe a rosa, a sua rosa. [continuar a ler]

(Nem) Todos os rios nascem nas nuvens

(Nem) Todos os rios nascem nas nuvens

Quando as emoções caem sob a forma de chuva, que rios é que nascem? Uma pequena gota de chuva, dançando em desfiladeiro abaixo, encontra outra pequena gota de chuva. De mãos dadas, formam apenas uma: morrem para que haja algo maior. Só um ouvido atento, um coração que, mais do que ouvir, sabe escutar, consegue sentir as vibrações cintilantes e harmónicas das inúmeras gotas de água que escorrem das nuvens e que trazem consigo uma mensagem de esperança e de renovação de todas as coisas. Um coração que sabe escutar, é capaz de perceber que a vida brota de pequenas coisas: de pequenas gotas que se descobrem, num propósito único, desfiladeiro abaixo, formando cada vez mais e maior corrente. [continuar a ler]

A NOSSA (IN)PREPARAÇÃO DE GERAR

A NOSSA (IN)PREPARAÇÃO DE GERAR

«Fiz de mim o que não soube»

É talvez um inusitado e arriscado começo para tentar falar sobre vocação e natividade. Expostas estas duas premissas que nos parecem tão absortamente equidistantes por relação à citação roubada a Álvaro de Campos na Tabacaria de Pessoa, parece-me feliz, se partindo dela pudermos falar do humano exemplo de Maria perante tão sublime epifania, anúncio, que nos faz exaltar nesta época do ano.
A vocação seja talvez a capacidade de acolhermos na nossa totalidade aquilo não sabemos. Uma forma de recriação passiva, quanto ativa. Não é algo imposto ou que nos caia em cima como um fado. Seja talvez sugestão de uma fania que quer alterar o percurso quotidiano dos nossos dias, da nossa vida, como aconteceu com Maria de quem Jesus haveria de ser dado à luz do nosso olhar, da nossa fé, da nossa contemplação. [continuar a ler]