O bispo de Angra acaba de dirigir uma mensagem a toda a diocese no âmbito da Semana dos Seminários, que decorre entre 10 e 17 de novembro, e deixa um duplo desafio: que o Seminário seja um exemplo de vida em comunhão e que a sociedade açoriana se co-responsabilize no apoio à instituição.

Numa Mensagem para a Semana dos Seminários, dirigida a toda a diocese, D. João Lavrador afirma que esta semana “serve para despertar todos os diocesanos para a sua responsabilidade na vida do Seminário Maior”. E concretiza: “Desde logo, no despertar vocacional, criando uma cultura vocacional onde Jesus de Nazaré tenha possibilidade de dirigir o Seu apelo aos jovens, mas também acarinhando o nosso Seminário Maior, oferecendo o estimulo necessário para que toda a comunidade educativa possa exercer bem a sua missão, mas também pela oração e pelo contributo económico, proporcionar os meios para que não faltem os recursos exigidos para a formação dos futuros sacerdotes”.

O prelado lembra que o Seminário “é uma comunidade de jovens” que orientados pela Equipa formadora e pelos professores “colocam a questão vocacional em direcção ao sacerdócio ministerial” e por isso deve ser “acarinhada” para que este tempo “de amadurecimento e de decisão” decorra sem sobressaltos

“Este ano, torna-se especialmente significativa a caminhada sinodal para a qual o Seminário Maior deve estar particularmente atento. Não só para ajudar a descobrir os novos caminhos evangelizadores que esta forma de ser Igreja desperta nas comunidades cristãs, mas sobretudo, em cultivar este modelo sinodal na vida do próprio seminário” afirma a mensagem.

O prelado lembra ainda que este espírito de comunhão dentro da Igreja, proclamado no Concilio Vaticano II, deve ser um primeiro sinal visível a partir do Seminário.

“Através das dimensões humana, intelectual, espiritual e pastoral, devidamente articuladas e desenvolvidas, a renovação conciliar tem de manifestar-se em ordem a oferecer á Igreja diocesana presbíteros devidamente integrados no presbitério diocesano, fazendo a experiência de autêntica comunhão, bem capacitados para promover comunidades cristãs a viverem a unidade e a comunhão, desenvolvendo ministérios e carismas de modo que todo o Povo de Deus seja participante e corresponsável pela missão evangelizadora da Igreja” refere na mensagem.

  1. João Lavrador não esquece, ainda, os esforços que estão a ser desenvolvidos ao nível da pastoral vocacional, elogiando o trabalho de pré-seminário que tem sido desenvolvido, sobretudo em São Miguel.

“Temos de dar graças a Deus pelo bom fruto deste trabalho em algumas das Ilhas da nossa diocese. Pede-se que esta semana dos seminários seja valorizada no seio de cada família, através da oração familiar e pela informação acerca do seminário.”

O prelado pede aos “grupos de jovens , catequeses e paróquias” a desenvolverem ações concretas que deem a conhecer e valorizem as experiências de vida dos seminaristas.

No dia 9 em várias ilhas será realizada uma vigília de oração pelas vocações e pelos seminários. Todos os seminaristas à exceção dos do ano propedêutico, sairão em missão para as diferentes ouvidorias de Santa Maria ao Corvo, para darem testemunho vocacional.

A Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios afirma que esta semana é ocasião para “animar os jovens” e “refletir na centralidade da questão vocacional e para um renovado compromisso”.

“É oportunidade para animar os jovens que fazem parte dos vários seminários do nosso país e reconhecer o precioso trabalho das equipas formadoras e de todos os que colaboram na vida dos seminários”, escreve D. António Augusto Azevedo.

Na mensagem enviada para este semana, o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios assinala que a “todos os jovens” se renova o apelo do Papa Francisco para que cada um saiba responder à pergunta: «Para quem sou eu?»,

O também bispo da Diocese de Vila Real observa que “hoje é mais difícil de escutar e entender” “chamamento atrativo e fascinante” de Jesus pelos jovens porque são “bombardeados por uma variedade de estímulos e uma multiplicidade de propostas geradoras de muito ruído e dispersão”.

“A vocação significa antes de mais um dom, um presente, simultaneamente o mais precioso e o mais exigente”, assinala, e abrir-se a esse dom “implica um caminhar juntos com Cristo, na amizade e na liberdade”.

O bispo português, que foi reitor do Seminário Maior do Porto, explica que estas casas são o espaço necessário para o “discernimento e para uma sólida configuração com Cristo”, um discernimento “favorecido pela vida comunitária” que ajuda cada um “na descoberta de si mesmo e do outro”.

“O Seminário é também o tempo indispensável para que o percurso de discernimento seja devidamente acompanhado, pessoal e comunitariamente”, acrescenta.

‘Cristo não pensa apenas naquilo que tu és mas naquilo que poderás chegar a ser’, é o lema da Semana dos Seminários 2019, que foi inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal ‘Christus Vivit’.

“Os últimos capítulos deste texto que surge na sequência do último Sínodo dos Bispos sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, correspondem à visão atual do magistério sobre o tema da vocação e concretamente da vocação ao ministério sacerdotal”, assinala D. António Augusto Azevedo.

A todos os cristãos, destaca, “é pedido, durante esta semana e sempre, um especial apoio e carinho” pelos seminários que se pode manifestar “na oração e na ajuda material”.

Os diversos materiais e subsídios para a Semana dos Seminários 2019 foram preparados pela Diocese de Aveiro e para animar e celebrar este período específico, para além do cartaz e da mensagem, existem um guião, uma pagela de oração, os mistérios do terço e a sugestão de uma vigília de oração, preces para a Oração Universal nas Missas e atividades dedicadas à infância, para os adolescentes e para os jovens, bem como um hino.

(Com Ecclesia e Igreja Açores)