D.João Lavrador foi o primeiro orador das I Jornadas de Teologia que arrancaram esta quinta feira em Angra
Começaram hoje em Angra do Heroísmo, no Seminário Episcopal, as I Jornadas de Teologia 2017, com uma reflexão centrada no tema o “Cristianismo e a Cultura”.
O bispo de Angra, que foi o primeiro orador do encontro que reúne os especialistas nacionais mais reputados no tema “Cristianismo e Cultura”, sublinhou que “o maior drama” da nossa humanidade é a “ruptura entre o Evangelho e a Cultura” e a teologia não pode alhear-se desta evidência que faz perigar a relação adulta entre o homem, figura criada e Deus, o seu criador.
A teologia tem, a este propósito, uma palavra a dar ao mundo: “a partir da modernidade a relação entre fé e cultura transformou-se numa questão dialética, o que obriga a uma reflexão da teologia” adiantou o prelado diocesano.
D.João Lavrador destacou a importância de haver uma coerência entre o que é fé e cultura, mantendo uma e outra “ a sua autonomia e liberdade”, sublinhando, no entanto, que o mistério da fé cristã dá-nos os estímulos e as ferramentas para interpretarmos esta realidade concreta.
“A partir da modernidade impõe-se o diálogo entre a fé e a cultura: a Cultura deve orientar-se para o bem geral da sociedade humana” disse ainda..
“Saber ler os sinais dos tempos é algo muito gratificante, pois a cultura contem em si sinais evidentes do verbo de Deus. A Igreja tem de saber ler os sinais dos tempos para dar resposta aos problemas do homem contemporâneo. Estamos hoje numa época nova da história, com profundas modificações que se estendem sobre a terra”, acrescentou o prelado afirmando que se “não houver da parte da igreja uma noção clara sobre a evangelização da cultura nem uma nem outra conviverá.
Depois deixou um repto: que os cristãos saibam evangelizar pela via da beleza.
“Devemos recuperar para o homem a capacidade de contemplar a criação, a sua beleza e a sua estrutura. Quanto mais conhecermos o mundo mais fácil é perceber a necessidade de tornar a vida um lugar de beleza, na busca da verdade e na abertura ao conhecimento de Deus…a experiência da beleza não prescinde do amor e do bem… respeita-se o bem e o belo”,, disse ainda o bispo de Angra.
“A beleza tende sempre para o bem e é a expressão visível do bem e este é expressão metafisica da beleza., porque a beleza está associada ao amor”, concluiu.
O Seminário Episcopal de Angra tem assumido desde sempre um papel liderante na reflexão teológica, cultural, social e pastoral na diocese insular, promovendo o debate e o confronto de ideias ao longo de mais de século e meio de existência. Aliás, o processo de encontro e comparação com as culturas é uma experiência que a Igreja viveu desde sempre e que agora se apresentam como novos campos de evangelização, que na sua história o Seminário nunca enjeitou.
José Carlos Seabra Pereira, responsável pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura; José Luís Brandão da Luz, professor da Universidade dos Açores; Nuno Martins e Pe Jorge Teixeira da Cunha, professores da Universidade Católica do Porto e o Pe José Júlio Rocha, professor do Seminário Episcopal de Angra , são os oradores destas jornadas teológicas abertas ao público em geral.
“Queremos que seja um momento de reflexão e de partilha de convicções e propostas concretas para alimentar este diálogo entre a igreja e a sociedade que é como quem diz a igreja e a cultura e assim aproximarmo-nos mais do mistério de Deus”, referiu o reitor do Seminário.
As Jornadas de Teologia 2017, “Cristianismo e Cultura” têm como público-alvo a comunidade académica, todos que procuram as razões da sua fé e são ainda uma iniciativa fundamental de formação permanente do clero diocesano.
As reflexões produzidas entre 16 e 18 de março serão o embrião para a revista cientifica do Seminário Episcopal de Angra.
As jornadas que decorrem no Salão Nobre o Seminário, com a participação de mais de cem pessoas, prosseguem esta sexta feira às 16h00 no Centro Cultural e de Congressos de Angra onde os participantes podem ver o filme “Dos Homens e dos Deuses” ,de Xavier Beauvois.

In Igreja Açores